Linha OnePlus 9 é removida do Geekbench por suposta fraude em resultados

Linha OnePlus 9 é removida do Geekbench por suposta fraude em resultados

Por Renan da Silva Dores | Editado por Wallace Moté | 07 de Julho de 2021 às 16h40
Divulgação/Weibo

Oficializada em março, a família OnePlus 9 trouxe mudanças marcantes à empresa, tanto positivas quanto negativas. Contando com hardware de ponta, que inclui Snapdragon 888, até 12 GB de RAM, até 256 GB de armazenamento e bateria de 4.500 mAh com carregamento de 65 W, os dispositivos foram os primeiros da marca a contar com câmeras otimizadas pela Hasselblad, mas também são os mais caros já lançados pela companhia.

Cerca de quatro meses após o lançamento, a linha volta a chamar a atenção por um motivo decepcionante: ambos foram removidos do banco de dados do Geekbench, popular benchmark que mede o desempenho da CPU, bateria e outros aspectos de eletrônicos, como resposta a uma extensa reportagem do site AnandTech.

OnePlus manipula desempenho da CPU em certos apps

Durante os testes para a produção do review do OnePlus 9 Pro, o AnandTech detectou comportamentos estranhos do processador em determinados aplicativos. Ao realizar uma análise aprofundada, o portal conseguiu encontrar linhas de código no sistema que detectam o app utilizado e modificam o desempenho do chipset, o que, na prática, poderia tornar resultados de benchmark inúteis.

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Ciente disso, o Geekbench decidiu remover temporariamente o OnePlus 9 e o OnePlus 9 Pro da tabela de resultados de celulares Android, divulgando a decisão no Twitter. A empresa também afirmou que realizará uma bateria de testes no próprio laboratório com outros modelos da OnePlus e, dependendo dos resultados, também removerá estes dispositivos do ranking.

Como funciona o mecanismo

De maneira resumida, o OnePlus 9 Pro impede que apps populares utilizem o núcleo mais poderoso do Snapdragon 888, um Cortex-X1, mantendo-os limitados aos núcleos mais simples. A ideia poderia não ser exatamente aumentar o desempenho, mas sim reduzir o consumo, e consequentemente prolongar a autonomia de bateria.

Isso, no entanto, ainda pode afetar os benchmarks, já que o uso real do aparelho não representaria o ranking de testes, considerando que esse tipo de aplicativo não sofria discriminação do sistema, estando assim liberado para utilizar a máxima performance do processador.

Analisando códigos do sistema e modificando APKs de benchmarks para se passarem por apps afetados, o AnandTech conseguiu identificar quedas de desempenho de até 36% (Imagem: Reprodução/AnandTech)

Segundo o AnandTech, praticamente todos os apps mais populares da Play Store eram afetados pelo mecanismo, incluindo Google Chrome, Facebook, WhatsApp, Instagram e TikTok, e até mesmo aplicativos do próprio sistema operacional, como o Launcher, a Galeria e a Câmera.

Curiosamente, ao usar um app menos conhecido, como o navegador Vivaldi, o desempenho máximo era atingido durante a primeira abertura, para então sofrer reduções a partir do segundo uso.

Fonte: Geekbench, AnandTech

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