Impactos da pandemia e saída da LG podem reduzir mercado de celular do Brasil

Por Felipe Junqueira | Editado por Wallace Moté | 07 de Junho de 2021 às 16h40
Ilan Dov/Unsplash

O mercado brasileiro de celulares vai ter crescimento bastante modesto no ano de 2021, segundo uma revisão de expectativa feita pela IDC Brasil. A saída da LG movimentou o setor, mas o vácuo deixado pela empresa não será tão facilmente preenchido.

Cerca de um quarto dos dispositivos da LG previstos para o país durante o ano devem ficar sem destino. A empresa de análise de mercado calculava que cerca de quatro milhões de celulares da empresa ingressaria no Brasil, e agora prevê uma redução de, pelo menos, um milhão deste total. A nova conjuntura foi explicada pelo analista de pesquisa e consultoria em consumer devices da IDC Brasil, Renato Meireles, ao site Mobile Time.

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“Quando falamos no ano de 2021, a LG teria 4 milhões de peças. Isso fica à deriva no mercado”, contou o especialista. De acordo com ele, a escassez de peças e problemas de logística atrapalha as fabricantes a preencherem o vácuo deixado pela LG no país. “Pelo menos 1 milhão serão perdidas dentro das 4 milhões de peças previstas”, calculou Meireles.

Ou seja, o fato de a LG, terceira maior fabricante de celulares do Brasil, sair do mercado impacta não apenas as opções do consumidor nas prateleiras, mas também a produção de smartphones no país em geral. E afeta também a relação entre fabricantes e varejo, já que não há uma terceira opção forte no mercado para fazer frente a Samsung e Motorola.

“O principal desafio do varejo é a consolidação do mercado. Isso é ruim. Você tem menos negociações, os preços serão ditados pelos líderes no mercado”, argumentou o analista.

Celulares da linha K faziam sucesso considerável entre os brasileiros (Imagem: Diego Sousa/Canaltech)

A IDC Brasil ainda reviu a expectativa de crescimento do mercado brasileiro em dois pontos percentuais. Ou seja, em vez de aumentar em 2,7%, as vendas de celulares no país devem crescer apenas 0,7% por causa da saída da LG de cena. A empresa sul-coreana encerrou a produção de celulares oficialmente na segunda-feira (31 de maio).

Brasil cai na fila de prioridades

Outro ponto que influencia a demora maior para que as fabricantes ocupem o espaço deixado pela LG no Brasil é uma queda do país na lista de prioridades para envio de componentes, explica Meireles. De acordo com ele, mercados como China, Indonésia e Estados Unidos entram na frente por já estarem mais avançados na retomada pós-imunização da população, ao passo que a Índia chama atenção pelo apetite do mercado interno, apesar de também estar com problemas no combate à pandemia.

“Isso acontece mesmo com a saída da LG. O market share da fabricante era similar entre Brasil e EUA, 10% no mercado nacional e 8% no norte-americano”, afirmou. “Neste cenário, os fabricantes priorizam o mercado norte-americano de olho nas vendas e aumento de receita”, explicou o analista.

Fonte: Mobile Time

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