Celulares da Apple e Samsung são difíceis de reparar, mostra levantamento
Por Vinícius Moschen |

O grupo de defesa do consumidor US PIRG publicou a quinta edição do relatório anual "Failing the Fix", que estabelece pontuações de reparabilidade para as marcas de celulares. Apple e Samsung mostraram que ainda têm vários aspectos a melhorar, enquanto a Motorola se saiu melhor.
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De acordo com a organização, o objetivo é auxiliar as pessoas na escolha de produtos duráveis e pressionar as empresas por transparência.
Para isso, a metodologia avalia a facilidade de desmontagem, as ferramentas necessárias e a oferta de peças de reposição, além da documentação técnica disponível e o tempo total de suporte de software oferecido.
A edição atual é marcada por uma mudança metodológica, com novos critérios que priorizam a simplicidade na desmontagem para refletir dificuldades reais de manutenção. Essa alteração resultou em notas menores para as empresas que lideram o mercado global.
Apple e Samsung com baixos índices de reparabilidade
A Apple recebeu a nota D-, o que representa a pior avaliação entre as marcas analisadas no setor de telefonia móvel. Embora apresente melhorias em relação a anos anteriores, a marca ocupa a última posição devido a restrições de software e suporte.
As limitações ocorrem principalmente por causa do pareamento de peças, que é a prática de vincular componentes de hardware a um dispositivo específico. Componentes não autorizados podem levar ao bloqueio de funções via software, como o funcionamento da tela, câmeras e mais.
A Apple introduziu o Assistente de Reparo no iPhone 16 para calibrar peças originais usadas, mas ainda impõe restrições a itens de terceiros.
A Samsung ocupa a penúltima colocação com a nota D, enquanto a Motorola lidera com a nota B+.
O levantamento também inclui pontuações para notebooks, com a liderança da ASUS com a nota B+. Ela é seguida pela Acer (B), HP, Dell, Samsung e Microsoft (todas com B-), Lenovo (C) e Apple (C-).
Fatores importantes para a durabilidade
Outros aspectos destacados pelo relatório incluem a longevidade das atualizações de segurança, já que um dispositivo torna-se inseguro para o uso nessas condições, independentemente do estado físico do aparelho.
Também foi ressaltado que dispositivos com manutenção difícil tornam-se descartáveis e ampliam a crise mundial de resíduos eletrônicos. Os Estados Unidos geraram mais de 7 milhões de toneladas de lixo eletrônico no decorrer do ano de 2022, segundo o levantamento.
A Organização Mundial da Saúde classifica esse tipo de material como um dos fluxos de resíduos sólidos com maior crescimento. Além disso, famílias estadunidenses gastam anualmente uma média de US$ 1.767 (ou R$ 9.108 em conversão direta) em novos eletrônicos.
Portanto, a opção pelo conserto em vez da substituição de aparelhos poderia gerar uma economia total de US$ 49,6 bilhões (~R$ 256 bilhões). Entretanto, o relatório indica que 80% das marcas analisadas fazem parte de associações que atuam contra leis de direito ao conserto, o que levou à perda de pontos na nota final.