Afinal, porque o Galaxy Fold está apresentando problemas?

Por Wagner Wakka | 24 de Abril de 2019 às 13h32
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Ficha técnica

Muitas dúvidas ainda pairam sobre o Galaxy Fold, aparelho com tela dobrável da Samsung anunciado no início deste ano. O smartphone começou a ser testado por jornalistas e influenciadores há uma semana e passou a apresentar problemas para alguns deles. A Samsung emitiu comunicado dizendo que tais dispositivos poderiam ter sido mal utilizados, mas posteriormente cancelou o lançamento do smartphone, que deveria ocorrer nesta semana em várias partes do mundo.

Diante desses fatos, uma dúvida principal ainda está no ar: afinal, o que causou os problemas nos Galaxy Fold de testes enviados aos jornalistas?

O site iFixit, especializado e reconhecido por desmontar dispositivos como smartphones, tablets e smartwatches, tentou analisar o que pode estar acontecendo com o Galaxy Fold. Eles fizeram o famigerado teste de teardown, que é quando abrem completamente o dispositivo e analisa suas peças.

O ponto de maior risco do aparelho, segundo especialistas do site, é que ele conta com uma tela OLED, tecnologia que é mais frágil que o LCD. Contudo, a Samsung deve ter escolhido o material por conta de sua flexibilidade, qualidades de contraste e brilho, além de eficiência energética.

A questão é que as telas OLED precisam ser hermeticamente fechadas, pois quaisquer intromissões de partículas podem causar falha em parte ou até em todo o sistema da tela, resultando em blecaute.

Criar esse ambiente completamente selado pode ser o grande desafio do aparelho, uma vez que as dobras, na abertura e fechamento, podem criar pequenos espaços pelos quais partículas como poeira podem entrar.

Um dos problemas de design visto pelo site nas fotos e vídeos é que a parte traseira do aparelho parece não ter uma proteção tão eficiente contra poeira, o que pode ter causado a falha.

Aparelho conta com pequena entrada através da qual poeira pode ter entrado (Foto: The Verge)

A abertura do aparelho mostra que não há essa proteção, o que o torna vulnerável. O termo utilizado pelo iFixit é que o Fold tem uma estrutura “preocupantemente frágil”.

Outra teoria do iFixit diz respeito à pressão. As telas de OLED não são feitas para aguentar muita força elas, sendo que pressão excessiva pode estragar a peça. Os vídeos da Samsung mostram testes feitos por robôs abrindo e fechando o aparelho, sem que eles coloquem força na tela com ele fechado. Os analistas suspeitam que, ao fechar o dispositivo, principalmente com uma mão só, os jornalistas possam ter colocado pressão demais na tela, causando os problemas.

Assim, os testes com robôs revelaram que o mecanismo é resistente, mas não são capazes de exercer a força de um usuário comum sobre a tela.

O site também aponta que não será barata a manutenção do smartphone, principalmente por dois motivos. O primeiro é relativo à bateria, que é posicionada de forma a dificultar sua retirada. “Não é impossível, mas a complexidade pode fazer a troca ser cara”.

Outro ponto é que há peças de vidro coladas na parte da frente e traseira do aparelho, também fazendo com que a manutenção seja cara. Isso porque fazer a abertura limpa deste aparelho pode ser um desafio e tanto.

A Samsung disse que está analisando os problemas ocorridos e que “jornalistas revelaram questões de usabilidade importantes” sobre as quais engenheiros não tinham se atentado.

Com o adiamento, ainda não há uma nova data para o Galaxy Fold chegar ao mercado.

Fonte: iFixit

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