Novo documentário mostra particularidades da Twin Peaks da vida real

Por Claudio Yuge | 03 de Julho de 2020 às 17h45
Showtime

Quando estreou em 1990, Twin Peaks se tornou um marco no entretenimento. A trama que envolve o assassinato de Laura Palmer em uma peculiar cidadezinha dos Estados Unidos trouxe à tona todo o cinismo da América, envolto em mistério e surrealismo. Ninguém imaginava que os pesadelos vistos fora de nossos sonhos pudessem fazer tanto sucesso no horário nobre.

A série se tornou um cult e essa adoração motivou uma terceira temporada, que mais uma vez revolucionou os limites de uma série para as telinhas. A criação de David Lynch e Mark Frost continua rendendo reverências, e a mais recente é um documentário de 30 minutos, que estreou esta semana no canal Take The Ring, especializado no assunto no YouTube.

Em Three Days in Twin Peaks, o produtor Jeremiah Beaver explora todos os cantos da cidade fictícia na localização real das filmagens, especificamente o Snoqualmie Valley, que, ao lado do município North Bend, serviram de ambientação para a série de Lynch. Os locais, sempre procurados por fãs, mantém as referências da atração por toda a parte. E aí que está o charme do documentário, que exibe explica com detalhes as locações.

Vale destacar que essa produção é derivada de outro trabalho de Beaver, a minissérie em quatro partes Twin Peaks Analysis, que, como o nome indica, analisa vários elementos misteriosos da série.

O que Twin Peaks tem a ver com Lost e Arquivo X?

Em 1990, as séries do mercado norte-americano se dividiam, basicamente, em drama e comédia, com “novelões” como Dallas ou comédias cotidianas como Primo Cruzado. Havia pouco material de ficção científica, fantasia ou terror, por exemplo — e, mesmo assim, elas não figuravam no horário nobre, entre as 20h e 22h nos Estados Unidos.

Twin Peaks mudou isso, pois sua intrigante e misteriosa trama deixou todo mundo ligado em cada episódio, com audiência nunca antes vista para esse tipo de conteúdo. Veja bem, chegou a ser exibida na Globo, com cortes e em um horário mais tarde, com resultados também bastante expressivos — até o Diário Secreto de Laura Palmer foi publicado no Brasil. A Record chegou a exibi-la por completo, sem cortes, mas em uma janela ingrata, às 18h.

Livro complementar à série foi publicado no Brasil na época (Reprodução/Globo Livros)

Isso obrigou os próprios produtores David Lynch e Mark Frost a criar uma segunda temporada, com muito mais episódios do que o primeiro ano — o que até gerou umas subtramas sonolentas. Para ter uma ideia, Twin Peaks era uma opção alternativa a Cidade dos Sonhos, que originalmente seria a atração do Showtime e, depois de ser descartada, virou filme. Com o sucesso arrebatador de Twin Peaks, a história ganhou dois longas e influenciou outros projetos semelhantes.

Isso abriu caminho para Arquivo X, que também passou a ser exibida no horário nobre, e outros seriados com temas polêmicos e/ou misteriosos, a exemplo de Lost e Dexter. E, para manter a tradição, a terceira temporada de Twin Peaks também surpreendeu o público e crítica, com uma história que subverteu a narrativa dos padrões paras telinhas — o episódio 8, em especial, é um marco no entretenimento.

Tudo isso alimenta ainda mais a campanha que fãs, atores e os críticos fazem por uma quarta temporada de Twin Peaks. Bom, se depender do hype sempre ronda o cultuado mistério por trás da morte de Laura Palmer, é bem possível que vejamos uma continuação da história que, na verdade, nunca terá fim.

Fonte: Welcome to Twin Peaks  

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