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Crítica Gen V | O que poderia dar errado em uma universidade de super-heróis?

Por| Editado por Durval Ramos | 27 de Setembro de 2023 às 19h05

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Reprodução/Amazon
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É possível dizer com certa tranquilidade que a adaptação de The Boys já superou consideravelmente os quadrinhos, trazendo um desenvolvimento de personagens e história bem mais rico que o material original. Talvez por conta disso, a ideia de um spin-off dentro do seu universo nunca pareceu absurda, já que ele é interessante o suficiente para dar certo.

Gen V, nova série que chega ao Prime Video, mostra como é uma universidade de pessoas com superpoderes. Normalmente, esse tipo de produção mostraria atos heroicos de uma maneira bastante comedida e "censura livre", mas por se tratar de uma história dentro do universo de The Boys, tem exatamente o que aconteceria no mundo real: jovens fazendo muito sexo, usando drogas ilícitas e muita violência. A diferença é que tem gente que voa ou é muito forte.

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Bem-vindos à Universidade Godolkin

Gen V gira em torno de um grupo de estudantes da Universidade Godolkin, uma instituição de ensino mantida pela Vought International para criar novos super-heróis, seja para lutar contra o crime ou serem artistas no meio do showbiz.

Apesar de mostrar cinco estudantes que acabam se unindo na história principal, a série tem bastante foco na jovem Marie Moreau, interpretada por Jaz Sinclair (O Mundo Sombrio de Sabrina). Com um passado trágico, ela tem como poder a habilidade de controlar sangue, podendo utilizá-lo como arma contra os outros. Parece absurdo, de fato é e a maneira como isso é utilizada na série funciona muito melhor do que o esperado.

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Marie acaba cruzando o caminho de Andre Anderson, interpretado por Chance Perdomo (After - Depois do Desencontro), um jovem capaz de manipular metal; Emma Meyer, vivida por Lizze Broadway (Ghosted), sua colega de quarto que consegue diminuir de tamanho; Cate Dunlap, interpretada por Maddie Phillips (Sobrenatural), capaz de comandar a mente dos outros com o toque e Jordan Li, um jovem que consegue mudar de gênero quando quer, interpretado por Derek Luh (Runaways) e London Thor (Shameless).

Além deles, a série mostra Luke Riordan, o melhor aluno da universidade, que inclusive já tem seu nome como super-herói — Garoto Dourado —, sendo capaz de ficar em chamas. Riordan é interpretado por Patrick Schwarzenegger, filho do astro de ação Arnold Schwarzenegger. Como era esperado, ao mostrar um local cheio de alunos com poderes, a chance de todos serem bonzinhos é nula.

Desde o primeiro episódio, Gen V pesa a mão na violência, uso de drogas e conteúdo sexual, o que pode impressionar alguns espectadores, mas dificilmente aqueles que já acompanhavam as temporadas de The Boys. Porém, para quem não vê muito problema nesse tipo de conteúdo, a série consegue utilizar esses elementos de maneiras bastante criativas desde os primeiros minutos do episódio de estreia.

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Esse clima de grande bagunça dentro da universidade acaba deixando o tom de Gen V um pouco diferente do visto na série principal. Realmente parece um drama colegial com pessoas com superpoderes, algo que se desenvolve de maneira relativamente natural.

Confesso que essa parte mais focada no relacionamento dos estudantes dentro da universidade me pareceu até mais divertida de acompanhar do que quando a trama principal da série começa de verdade e tudo fica mais sério.

Inclusive, apesar de fazer sentido dentro do contexto do seu universo, a trama principal de Gen V, que acaba envolvendo mais a influência da Vought International nos acontecimentos, acaba tirando o ritmo de alguns episódios. Algo que poderia andar com as próprias pernas acaba precisando dessa muleta para conseguir seguir em frente com o desenvolvimento da temporada.

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Spin-off que não precisava tanto da influência da série principal

O que nos leva à forma como Gen V e The Boys se conectam. Passando após os acontecimentos da terceira temporada de The Boys, o spin-off, salvo os momentos em que a Vought influencia a trama, consegue se sair consideravelmente bem sozinho.

Existem pequenos momentos em que personagens falam sobre acontecimentos da série principal ou recortes de notícias na TV, mas não acontece uma necessidade absurda de aproximar as séries, algo que é realmente uma grata surpresa.

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Desde o seu anúncio, a ideia de que Gen V existir somente para tapar buraco entre a terceira e a quarta temporada de The Boys era algo que assombrava alguns fãs, mas as duas séries conseguem co-existir de maneira bastante eficiente.

Algumas participações especiais de atores da série principal ajudam nessa conexão, mas não tiram o foco dos personagens de Gen V.

De um ponto de visto técnico, a série tem efeitos especiais inferiores aos vistos em The Boys. Tirando os momentos de violência absurda, com litros de sangue e nojeiras por toda parte, várias cenas com efeitos especiais parecem esquisitas e mostram que o orçamento talvez seja bem menor.

Em dado momento, você se acostuma, mas ainda incomoda em algumas cenas que parecem ter saído de um episódio bem esquisito do Chapolim Colorado.

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Passando de semestre

Apesar de um ou outro probleminha de ritmo, Gen V funciona bem dentro do universo de The Boys. De certa forma, consegue explorar mais um lado desse mundo caótico, ainda que não traga todas as consequências esperadas dos acontecimentos da última temporada.

O spin-off traz bons personagens, alguns realmente interessantes, mas poderia tentar encontrar mais o seu próprio estilo, em vez de tentar ser um The Boys na universidade. Quando a série se solta mais, consegue ser realmente divertida e única.

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Gen V estreia dia 29 de setembro no Prime Video, com novos episódios toda sexta-feira.