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Crítica Fallout | O pós-fim do mundo parece fascinante

Por| Editado por Durval Ramos | 10 de Abril de 2024 às 12h09

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Divulgação/Prime Video
Divulgação/Prime Video

Dentre todas as adaptações de games para o cinema ou TV, Fallout talvez fosse uma das que teriam o trabalho mais fácil para dar certo, mas ao mesmo tempo, a que poderia desandar com o menor deslize. O Amazon Studios abraçou a possibilidade e colocou a produção nas mãos de Jonathan Nolan e Lisa Joy, responsáveis por Westworld, que conseguiram entregar uma das adaptações mais fiéis e divertidas de um jogo de videogame até hoje.

Fugindo da armadilha de tentar recontar a história de um dos jogos da franquia, Fallout, a série, se dá bem por andar com as próprias pernas em um universo criado ainda na década de 1990, pela Interplay, e popularizado para novas gerações pela Bethesda Softworks. 

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Fallout entrega uma bela representação do que é jogar um dos games da franquia, com todos os seus acertos, mas não sem os tropeços. Basicamente, até os bugs típicos dos títulos da Bethesda que sempre marcam os lançamentos de novos jogos estão presentes nos erros da adaptação. É jogar sem precisar de um joystick na mão.

I don't want to set the world on fire

Fallout se passa 229 anos após a guerra nuclear que devastou os Estados Unidos. A história se divide em três personagens principais: Lucy MacLean, jovem moradora do Vault 33 e interpretada por Ella Purnell (Yellowjackets);  Maximus, um escudeiro da Irmandade do Aço, interpretado por Aaron Moten; e Cooper Howard, um ator de Hollywood que sobreviveu por mais de 200 anos como um Ghoul, um ser mutante que agora é um caçador de recompensas, interpretado por Walter Goggins (Justified).

Os três personagens conseguem cobrir praticamente tudo o que Fallout pode oferecer em uma série de TV. Lucy é, de certa forma, inocente, já que nunca saiu do abrigo subterrâneo e não tem noção dos perigos do mundo exterior. Maximus já conhece o mundo através da dor e da devoção à Irmandade do Aço, que tenta limpar o país de alguma forma. E Cooper já perdeu e viveu tempo suficiente para compreender como as coisas realmente funcionam.

Ao focar nesses três personagens, a série permite que os fãs da franquia possam reconhecer elementos e caçar easter eggs enquanto aproveitam a nova trama, ao mesmo tempo em que aqueles que nunca colocaram um controle de videogame na mão ou sentaram na frente de um PC para jogar podem aproveitar completamente a adaptação e conhecer todas as facetas desse rico universo.

Apesar de boa parte da trama ter Lucy, em um trabalho bastante competente e que deve dar ainda mais destaque à Ella Purnell, como ponto principal, quase servindo como uma protagonista, Maximus e Cooper são igualmente importantes para o andamento da trama da temporada.

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Assim como acontece com outros jogos da franquia de games, Fallout, a série, conta uma história inédita, inclusive fazendo parte da cronologia da franquia, se passando alguns anos após Fallout 4. Isso deu liberdade a Jonathan Nolan e Lisa Joy de olhar para frente sem medo de ser feliz, sem qualquer tipo de amarra relacionada a acontecimentos de jogos passados.

A escolha do elenco, principalmente com Purnell (a mais nova estrela de olhos grandes e franjinha de Hollywood) e Goggins é muito inspirada e faz o espectador ter vontade de ver mais deles. Lucy é uma personagem que funciona exatamente pela sua ingenuidade em relação ao mundo exterior, fazendo com que você torça por ela.

Já Cooper é o exato oposto disso. É típico personagem durão, mas que tem um passado trágico que o torna muito interessante. O ator brilha no papel do mutante caçador de recompensas, novamente mostrando por que é um dos atores mais interessantes de Hollywood nos últimos 15 anos, trabalhando em produções como Os Oito Odiados e The Righteous Gemstones.

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Confesso ter achado Maximus, interpretado por Aaron Moten, o elo mais fraco do trio, apesar de ter alguns bons momentos ao longo da temporada. Parece faltar algo no personagem para que ele se destaque. Pelo menos a armadura que ele usa é pura doideira.

Um mundo devastado e fascinante

Como jogador, eu sempre fui bastante fascinado pelo universo da franquia Fallout. Nunca fui muito fã da outra grande série da Bethesda, The Elder Scrolls, mas os jogos pós-apocalípticos sempre me chamaram atenção.

Fallout 3, mesmo com suas falhas, ainda é um dos meus jogos favoritos até hoje, seguido por Fallout: New Vegas. Quase todos os jogos seguem caminhos distintos, tendo apenas o mundo pós-apocalíptico como ponto comum. A série segue exatamente esses passos, servindo como uma aventura assistida da franquia.

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Essa certamente foi a maior sacada da produção, já que permitiu aproveitar um cenário rico, cheio de elementos interessantes, já devidamente desenvolvidos e prontos para colocar na tela. Com tudo isso já esquematizado, bastou colocar uma história que fosse envolvente e ainda conseguisse apresentar novos elementos para ter sucesso.

Fallout consegue tudo isso, principalmente ao trazer a sensação dos games, com encontros com figuras bizarras e uma constante aura de perigo e vontade de explorar todos os cantos dos lugares apresentados.

Até os bugs estão presentes

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Como comentamos, a experiência da série Fallout se assemelha bastante a dos jogos — inclusive em seus tropeços. A franquia da Bethesda, assim como praticamente tudo o que a empresa faz, é bastante conhecida pelos bugs encontrados pelo caminho. É impossível que um título seja lançado sem que alguma coisa esteja quebrada ou que funcione de um jeito que não deveria. É algo que já virou uma característica da empresa e que é esperado a cada novo Fallout.

A sua adaptação se sai um pouco melhor em relação a isso, mas alguns problemas são bastante notáveis. O ritmo da temporada me incomodou um pouco, com um início muito corrido, tentando apresentar tudo o que precisa sobre a trama de uma vez só, enquanto outros episódios são demasiadamente longos, causando uma certa fadiga.

Assim como nos jogos, esses bugs podem ser tratados como coisas boas por algumas pessoas, já que esses episódios mais longos também ajudam alguns personagens e situações terem um pouco mais de espaço e tempo para respirarem e serem mais desenvolvidos.

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Por se tratar de uma série de streaming com todos os episódios lançados de uma vez só, isso talvez seja sentido por aqueles que vão maratonar a temporada, como eu fiz. Por outro lado, se você assistir os capítulos no seu próprio tempo, talvez não perceba tanto esse "problema".

O futuro pode ser caótico, mas muito divertido

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A temporada de Fallout consegue apresentar muito bem a ideia da franquia, sendo uma ótima história de ficção científica, aliada a uma das melhores adaptações de games para outra mídia. A sua história é relativamente fechada nos oito episódios, mas um gancho fenomenal e os envolvidos na produção já falando que têm tudo planejado caso a série ganhe mais uma temporada, me deixam empolgado com o que está por vir.

Fallout estreia 10 de abril, às 22h, no Prime Video.