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Como o episódio 3 de The Last of Us consegue ser superior ao jogo

Por| Editado por Jones Oliveira | 29 de Janeiro de 2023 às 23h00

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HBO
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Já não é spoiler para ninguém dizer que o terceiro episódio de The Last of Us é o que mais vai mudar a história apresentada nos jogos. A produção da série da HBO já tinha antecipado isso ao dizer que algumas tramas seriam ampliadas e as imagens promocionais deixaram claro que a relação entre Bill (Nick Offerman) e Frank (Murray Bartlett) estava entre elas. O que ninguém esperava, contudo, era que essa mudança deixasse o seriado muito melhor que o game.

O capítulo desta semana da adaptação mexe de forma bastante significativa não só em acontecimentos dentro da saga da Joel (Pedro Pascal) e Ellie (Bella Ramsay) como também altera algumas dinâmicas, introduz fatos inéditos e desenvolve conceitos que ou são abordados muito superficialmente nos games ou sequer existem. E são novidades tão bem-vindas que mostram o quanto a série está mesmo disposta a melhorar aquilo que os fãs já conhecem.

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E não se trata de depreciar os jogos — até porque essas mudanças partem do mesmo Neil Druckmann que apresentou esse mundo nos videogames. No entanto, a maior liberdade que o seriado tem de brincar com a narrativa e a própria maturidade de todos os envolvidos na adaptação fazem com que o episódio 3 de The Last of Us supere todas as expectativas.

Bora Bill

Até agora, a série de The Last of Us está muito fiel aos jogos em termos de acontecimentos. Joel saiu da Zona de Quarentena com Tess (Anna Torv) para levar Ellie até os Vagalumes que estavam em algum canto de Boston, só que tudo dá errado e sua aliada acaba contaminada. Assim, ele e a garota precisam seguir para outro possível ponto onde esperam encontrar o grupo.

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Até esse ponto, game e seriado estão em pé de igualdade. A grande diferença acontece a partir desse momento.

No jogo, Joel e Ellie encontram Bill enquanto tentam desviar de infectados em uma área de subúrbio. Ao se deparar com uma série de armadilhas instaladas por entre as casas, o contrabandista percebe que está próximo desse velho conhecido e vai fazer uma visita na tentativa de conseguir pistas sobre os Vagalumes, além de munição e mantimentos.

Fica claro, portanto, que eles se conhecem, principalmente quando Bill dá as caras e passa a ajudar a dupla a contragosto. Ele reclama de encontros passados e há alguns diálogos que indicam uma história pregressa, mas tudo é abordado muito por alto em falas que acontecem enquanto o jogador supera alguns obstáculos.

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Essa abordagem superficial também está na relação entre Bill e Frank. À primeira vista, o paranóico sobrevivente dá a entender que ele é um companheiro de atividades que o traiu e foi embora e você só vai entender que eles são um casal mais para frente, quando se depara com uma carta que explica melhor isso. Mais para frente, o jogador encontra o corpo de Frank.

E tudo isso acontece em um trecho muito breve do jogo, até porque essa interação toda é interrompida por um ataque de infectados, o que faz com que Bill seja explorado muito en passant e sem grande aprofundamento. No máximo, ele é um aliado reclamão que surge rapidamente e logo vai embora.

Como a série muda tudo

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É por isso que a adaptação de The Last of Us acerta tão bem ao mudar drasticamente toda essa estrutura. O jogo opta por criar uma narrativa contínua para criar um senso de urgência à jogabilidade, mas a série abre mão disso para poder desenvolver melhor esses personagens e, principalmente, usar isso para enriquecer ainda mais a história de Joel e Ellie.

Prova disso é que, no terceiro episódio do seriado, a dupla deixa de ser a protagonista por um instante e a narrativa se volta para o próprio Bill. O capítulo é quase um enorme flashback que acompanha que o personagem sobreviveu ao longo desses 20 anos desde o início da infestação do cordycepsaté o momento em que Joel chega lá.

Não vamos entrar em spoilers sobre as várias reviravoltas que essa história apresenta, mas o grande acerto da HBO focana construção do relacionamento de Bill e Frank. enquanto este era apenas citado em diálogos e documentos no jogo — e, depois, morto em um canto qualquer —, o seriado mostra como ele foi fundamental para recuperar a humanidade de seu namorado.

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E esse é o maior trunfo de The Last of Us na TV. Os dois primeiros episódios mostram o quanto o fim do mundo como conhecemos fez com que Joel se tornasse cada vez mais endurecido. Com Bill, porém, o seriado apresenta a lógica contrária: ele é o maluco paranóico que não confia em ninguém e que tem um bunker em casa antes mesmo do fungo se espalhar, mas que passa a amolecer a partir do momento em que conhece Frank.

Essa inversão é fundamental para mostrar como, mesmo nesse mundo desgraçado, o amor ainda é luz em meio à escuridão. Uma mensagem um tanto piegas, é verdade, mas que vai ecoar na relação de Joel e Ellie a partir daqui. Não por acaso, é a partir desse ponto que ele começa a se afeiçoar à garota e trilhar esse novo caminho.

Assim, enquanto Bill é apenas mais um personagem que o jogador encontra nos jogos para ilustrar como o apocalipse ferrou com a cabeça do mundo, a série usa a mesma história para dizer algo muito maior e ilustrar algo que vai ser construído ao longo do restante da temporada. E ele faz isso sem descaracterizar ou mesmo mudar a essência daquilo que os fãs já conhecem. na verdade, ele apenas enriquece tudo isso.

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The Last of Us está disponível na HBO Max.