Venda de vacinas falsas contra COVID-19 cresce na dark web e preços impressionam

Por Ramon de Souza | 13 de Janeiro de 2021 às 23h20
Hakan Nural/Unsplash

Todos nós já sabíamos que isso aconteceria — o crime cibernético iria se aproveitar do desespero popular para comercializar vacinas falsas contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2). Essa foi, inclusive, a previsão de Jürgen Stock, secretário-geral da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), no início de dezembro. Ao que tudo indica, ele estava certo.

De acordo com especialistas da Check Point, já era possível encontrar anúncios de medicamentos de origem duvidosa contra a COVID-19 na dark web desde o ano passado; porém, nas últimas semanas, o volume de itens comercializados e o valor requisitado pelos golpistas aumentaram exponencialmente. Os pesquisadores acreditam que tal fenômeno provém do fato de que muita gente não quer esperar na fila dos programas de vacinação.

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No início de dezembro de 2020, a Check Point encontrou apenas oito páginas de resultados ao pesquisar vacinas contra a COVID-19 na dark web; agora, ela identificou 34 páginas e um total de 340 anúncios. Ademais, se antes o preço médio de uma dose era de US$ 250 (R$ 1,3 mil na conversão direta), agora, é necessário desembolsar valores que variam de US$ 500 (R$ 2,6 mil) a US$ 1 mil (R$ 5,2 mil) por doses não especificadas.

Imagem: Reprodução/Check Point

Os golpistas também não tinham a preocupação de especificar a fabricante da tal vacina, limitando-se a dizer que ela era “oriunda da China”. Agora, com diversos imunizantes sendo certificados ao redor do globo, os estelionatários passaram a usar marcas específicas como Sinovac, Pfizer e AstraZeneca. Obviamente, os pagamentos são sempre realizados via Bitcoin, que é um método de pagamento difícil de se rastrear.

Para testar a audácia dos criminosos, os pesquisadores da Check Point abordaram um vendedor pelo Telegram e compraram supostas duas doses de vacina por US$ 750 (R$ quase R$ 4 mil); o perfil do golpista foi apagado dias depois e a encomenda jamais chegou ao endereço fornecido. Os especialistas encontraram até mesmo quem prometesse fornecer vacinas a granel, com um fornecedor teoricamente capaz de entregar 10 mil frascos por US$ 30 mil (R$ 158 mil).

Fonte: Check Point

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