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Google consegue coletar dados de usuários do iOS e repassar para autoridades

Por Thaís Augusto | 15 de Abril de 2019 às 21h50
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Ser dono de um iPhone não impede que a Google repasse seus dados para as autoridades. Foi o que descobriu uma reportagem do New York Times publicada no último sábado (13).

De acordo com a publicação, políciais estão usando uma nova técnica para encontrar suspeitos. Funciona assim: eles enviam um mandado para a Google solicitando informações de uma área em um período específico. Em seguida, a empresa reúne dados dos aparelhos que estavam no perímetro investigado e repassam para a polícia com identificações anônimas. Com as informações, os detetives conseguem observar padrões de movimentos e localizações de possíveis suspeitos e testemunhas. Então, a Google manda para as autoridades os nomes destes usuários e outras informações pessoais.

Só que a Google não coleta apenas os dados de usuários do Android: um analista de inteligência, que examinou os dados de centenas de telefones, disse ao New York Times que "alguns iPhones" foram localizados pela Google e suas informações repassadas para a polícia. Não está claro como a Google consegue os dados de usuários da Apple, mas parece que as informações são armazenadas quando eles utilizam serviços da Google, como o Maps, por exemplo.

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De acordo com um funcionário da Google, a empresa já chegou a receber 180 mandados das autoridades em uma única semana. Do lado policial, a tecnologia vem sendo elogiada como uma ferramenta útil para a aplicação da lei. Por outro lado, dados de usuários inocentes podem estar sendo violados.

Investigadores contaram ao New York Times que não mandam mandados a nenhuma outra empresa. A Apple teria dito que não tem capacidade para realizar o mesmo tipo de buscas.

Privacidade do iOS

Novo comercial da Apple ressalta privacidade dos usuários

Em 2015, a Apple se recusou a ajudar o FBI a invadir o iPhone de Syed Rizwan Farook, autor do atentado de San Bernardino, que deixou 14 mortos. Farook foi morto a tiros pela polícia. No ano seguinte, o CEO da Apple, Tim Cook, publicou uma carta aberta dizendo que o pedido do FBI para que a Apple construísse uma nova versão de seu iOS para invadir o smartphone de Farook não só criaria uma fraqueza explorada por hackers, mas abriria um precedente perigoso.

"O governo pode estender essa violação de privacidade e exigir que a Apple crie software de vigilância para interceptar suas mensagens, acessar seus registros de saúde ou dados financeiros, rastrear sua localização ou até mesmo acessar o microfone ou a câmera do seu telefone sem o seu conhecimento", escreveu Cook. A privacidade continua sendo um importante ponto de marketing para a Apple. Na Consumer Electronics Show (CES) deste ano, a Apple zombou da Google com um enorme cartaz que dizia: "O que acontece no seu iPhone, fica no seu iPhone".

A cooperação do Google com a aplicação da lei não é cega. É necessário um mandado, e funcionários disseram ao New York Times que a Google recuou em buscas que considerou excessivamente amplas. "Protegemos vigorosamente a privacidade de nossos usuários enquanto apoiamos o importante trabalho de aplicação da lei", disse o diretor de segurança da informação do Google, Richard Salgado, em um comunicado.

"Criamos um novo processo para essas solicitações específicas destinadas a honrar nossas obrigações legais, ao mesmo tempo em que estreitamos o escopo dos dados divulgados e apenas produzimos informações que identificam usuários específicos onde são legalmente exigidos", completou Salgado.

Da mesma forma, a Apple nem sempre recusa solicitações das autoridades. "Quando o FBI solicitou dados que estão em nossa posse, nós fornecemos", escreveu Cook em sua carta de 2016.

Fonte: Business Insider e The New York Times

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