Dilema das Redes | 80% dos brasileiros aceitaria trocar dados por benefícios

Por Felipe Demartini | 16 de Setembro de 2020 às 22h40
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O noticiário de tecnologia está falando diariamente sobre privacidade, proteção de dados e segurança diante de golpes ou fraudes. Mas e quando tais informações são dadas de bom grado pelos usuários em troca de vantagens ou benefícios especiais? Uma pesquisa revelada pela Kaspersky mostrou que a maioria dos brasileiros não vê problema em abrir mão do próprio sigilo em troca de regalias especiais, dando mais ênfase às comodidades das redes sociais do que à própria proteção.

Os dados mostram que 80% dos cidadãos do país não teriam problemas em se expor nas redes sociais se isso significasse encontrar amigos antigos, no maior porcentual de aceitação. Descontos em compra online valem a pena a troca para 70% das pessoas, enquanto experiências exclusivas (65%), bons imóveis para alugar (55%), um monitoramento de segurança durante viagens (50%) e descontos na fatura do cartão de crédito (44%) também apareceram em posições altas no ranking da balança entre privacidade e benefícios.

Na contramão de muito do que se diz quando o assunto é privacidade e segurança, incluindo o recente documentário Dilema das Redes, da Netflix, 49% dos participantes afirmaram que não se importam em dar os dados pessoais em troca de obter um visto para outro país, enquanto 37% aceitariam tais termos em prol de um rastreamento governamental para dar mais segurança aos cidadãos. Por outro lado, ao mesmo tempo, há um grande índice de desconhecimento sobre os sistemas de ranking social, que normalmente acompanham essa troca de dados por benesses.

O levantamento diz que 61% dos brasileiros não sabem ou nunca ouviram falar em dinâmicas desse tipo, que já são utilizados, por exemplo, em países como a China ou como uma maneira de implementar sistemas de notificação para proteção contra o novo coronavírus. Nesta pandemia, diversos governos, incluindo o do Brasil, lançaram aplicativos que indicam o contato com pessoas contaminadas por meio de um rastreamento de sua movimentação, o que também acaba revelando os lugares que frequentaram e, por conseguinte, possíveis compras realizadas.

Alerta para a manipulação artificial

Na visão da Kaspersky, uma das principais empresas especializadas em segurança digital do mundo, o perigo de tais programas é a manipulação artificial. Em outro estudo, a companhia concluiu que tais plataformas estão sujeitas a invasões, ataques ou alterações diretas, seja em sua implementação técnica ou em sua mecânica. A possibilidade de modificar a pontuação de alguém para diferentes fins poderia levar ao surgimento de um mercado clandestino e fomentar a corrupção.

“Temos que defender os benefícios que a tecnologia proporciona, porém, sem que ela ponha em risco nossa segurança e privacidade”, afirma Claudio Martinelli, diretor geral da Kaspersky para a América Latina. Na visão dele, situações de isolamento social como a causada pela pandemia fazem com que atenção redobrada seja dada à entrega dos dados, uma vez que as vias online se tornaram a preferência para muitos casos, como forma de se proteger contra o contágio.

Martinelli cita legislações como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e normas internacionais que fazem com que empresas tenham que deixar claro o nível de acesso que possuem às informações pessoais dos seus usuários. Eles, também, devem prestar atenção nisso, como forma de protegerem a si mesmos. “É necessário ter o devido controle hoje para não o perdermos amanhã”, completa.

De acordo com o especialista, o melhor caminho e ter consciência dos dados pessoais que estão sendo compartilhados na internet, principalmente em redes sociais abertas. É preciso saber que tais informações podem cair em mãos erradas e serem usadas para golpes ou fraudes, bem como em futuros sistemas que possam levar tais informações em compra para autorizar ou negar a prestação de um serviço.

O ideal é excluir contas e históricos sempre que deixar de utilizar um serviço ou aplicativo, prestando atenção, também, em eventuais apps que estejam conectados a redes sociais e outras plataformas, extraindo dados presentes nelas. O uso de soluções de proteção nos dispositivos sempre é recomendado, assim como a utilização do desconfiômetro na hora de preencher cadastros ou entregar dados; caso acredite que aquele serviço ou empresa não tem porque ter acesso a uma determinada informação, não prossiga.

Fonte: Kaspersky

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