Minecraft é o título mais usado em ciberataques contra gamers

Minecraft é o título mais usado em ciberataques contra gamers

Por Felipe Demartini | Editado por Claudio Yuge | 27 de Setembro de 2021 às 21h20

Junto com funcionários em home office e serviços de streaming, os games estão entre as categorias que mais cresceram ao longo do período de isolamento social causado pela covid-19. E com isso, aumenta também o índice de ataques, com os golpes contra jogadores de PC tendo aumento de 66%, enquanto os que miram usuários de Android quase triplicaram, com 185% mais tentativas.

Minecraft é, de longe, o título mais usado na aplicação desse tipo de golpe. De acordo com os dados divulgados pela Kaspersky, especializada em segurança digital, mais de 36,3 mil arquivos infectados por malware foram encontrados em relação ao game, gerando mais de três milhões de tentativas de contaminação contra 184,8 mil pessoas. Versões, mods, trapaças e itens gratuitos estão entre as principais ofertas usadas para induzir os usuários ao download das pragas.

No segundo lugar aparece The Sims 4, com 5,8 mil arquivos e 1,2 milhão de golpes, seguido de PUBG (484 mil ocorrências), Fortnite e Grand Theft Auto V, o único da lista que não está disponível em versão mobile. Mesmo assim, sua popularidade levou à localização de 4,9 mil pacotes maliciosos e 187,1 mil tentativas de ataque. Durante o período pandêmico, também houve pouca alteração no quadro de países mais atingidos, com o Brasil sendo a segunda nação mais atingida no ranking global. Estamos atrás apenas da Rússia e, atrás, estão Índia, México e Irã.

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Quando se leva em conta o total do setor, os números são ainda maiores. De acordo com a Kaspersky, já no segundo trimestre de 2020, foram mais de 2,48 milhões de ataques detectados contra jogadores em todo o mundo, contra 1,48 milhão no período anterior. Os números de tentativas também explodem no Android no mesmo período, com 3,2 milhões de incidentes registrados entre abril e junho do ano passado.

Exemplo de golpe que simula o download do game PUBG Mobile, com vários itens especiais, mas que na verdade serve para roubar dados do usuário (Imagem: Reprodução/Kaspersky)

A passagem do tempo e a reabertura em muitos países fez com que os dados relacionados ao PC apresentassem queda de 74% no segundo trimestre de 2021. O mesmo, entretanto, não pode ser dito do ecossistema mobile, já que mesmo na volta ao trabalho e estudo, os celulares ainda são usados para jogar — nesse segmento, a baixa foi de apenas 10%, mantendo o Android como um campo fértil para ameaças digitais voltadas a games.

“O uso de dinheiro real, por meio de cartão de débito e crédito ou vale-presentes, tornou essa indústria ainda mais atraente e lucrativa para os cibercrminosos”, explica Santiago Pontiroli, especialista de segurança da Kaspersky na América Latina. Segundo ele, o foco do cibercrime nestes casos é financeiro, com os bandidos de olho nas credenciais e dados dos usuários, assim como a venda dos perfis recheados de itens especiais.

Por isso, a recomendação é que os downloads e compras sejam feitos apenas em lojas oficiais. Os usuários devem se manter atentos a ofertas boas demais para serem verdades, itens gratuitos, modificações ou trapaças que podem esconder arquivos maliciosos; novamente, caso elas não sejam oficiais ou estejam em ambientes reconhecidos, o ideal é evitar a instalação.

Usar uma solução robusta de segurança no computador e celular, assim como manter sistemas operacionais e os próprios apps de games atualizados, também são bons caminhos para a proteção. A Kaspersky recomenda ainda o uso de senhas seguras e únicas, além de sistemas de autenticação em duas etapas, para evitar intrusões e o roubo de perfis.

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