Vacinação salva 4 vidas por minuto e gera economia de R$ 250 milhões por dia

Por Fidel Forato | 07 de Setembro de 2020 às 12h20
LuAnn Hunt/Pixabay

Com a pandemia da COVID-19, muitos pesquisadores e autoridades públicas têm discutido a importância de uma vacina eficaz e segura contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2), o que poderá reduzir as milhares de mortes diárias pela infecção. E fora desse contexto, qual é o real impacto das vacinas pelo globo? 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), campanhas de vacinação evitam pelo menos quatro mortes por minuto, em todo o mundo. Além disso, geram uma economia de R$ 250 milhões por dia, de acordo com o estudo de um grupo de pesquisadores.

Para se chegar a esses números, os cálculos foram feitos com bases em doenças que podem ser controladas, a partir de vacinação, como difteria, sarampo, coqueluche, poliomielite, rotavírus, pneumonia, diarreia, rubéola e tétano. No Brasil, a maioria delas já é controlada ou até mesmo foi erradicada depois de campanhas de vacinação. Entretanto, sempre há o risco de voltarem, rapidamente, caso o número de pessoas vacinadas comece a cair.

Campanhas de vacinação podem salvar quatro vidas por minuto e geram uma economia de 250 milhões de reais por dia (Imagem: Karolina Grabowska/Pexels)

Atualmente, as vacinas já evitam de duas a três milhões de mortes por ano. Ainda de acordo com a OMS, poderiam salvar mais 1,5 milhão de vidas caso as campanhas fossem ampliadas. No entanto, esse número não é consenso. Segundo a Universidade de Oxford, no Reino Unido, essa estimativa é cautelosa, quando se pensa no número de vidas perdidas por algumas doenças. Por exemplo, a varíola levou ao óbito cerca de 300 milhões de pessoas, desde o século XX até ser erradicada em 1977. Agora, é só pensar em quantas vidas poderiam ter sido e foram salvas pelo imunizante.

Caso do sarampo

Entre as doenças que podem ser erradicas por uma vacina, o caso do sarampo chama a atenção. Isso porque, durante anos, essa doença —  extremamente contagiosa —  foi controlada, com sucesso, em diversos países pelo mundo. De forma geral, o sarampo apresenta uma baixa gravidade, mas em alguns casos leva a complicações graves, como pneumonia, meningite e até mesmo o óbito do paciente.

Entre os anos de 200 e 2017, estima-se que as campanhas de vacinação tenham evitado cerca de 21 milhões de mortes pela doença. Em comparação, na década de 1960, morriam 2,6 milhões de pessoas por ano no mundo antes da primeira vacina. Já em 2017, por exemplo, quando mais de 80% da população mundial estava imunizada, o número de mortes caiu para 95 mil.

No Brasil, a vacinação em massa fez com que o número de casos do sarampo despencasse no início dos anos 1990. Mais precisamente, eram 46 mil casos em 1990. Passados dois anos, em 1992, o número de casos era de três mil. Nessa época, a vacina alcançava em torno de 90% das crianças menores de um ano.

Entretanto, essa situação controlada do sarampo começou a mudar com a "ajuda" de informações falsas e a redução do número de pessoas que foram vacinadas nos últimos anos. Para o Unicef —  braço da ONU para a infância —, quase 100 países registraram um aumento nos casos da doença em 2018. Só o Brasil teve quase 18 mil casos confirmados em 2019.

Vacinação em cifras

Para além da questão da saúde, é possível avaliar o impacto das vacinas em cifras. Isso porque pessoas doentes aumentam os custos da saúde pública e da demanda por mais recursos da receita em qualquer país do mundo. Tendo isso em mente, um grupo de 21 pesquisadores calculou as perdas causadas por dez doenças que podem ser evitadas —  como sarampo, rubéola e hepatite B.

Para ter números mais precisos, a estimativa abrange apenas 73 países, em desenvolvimento, que são apoiados pelo Gavi (Aliança Global para Vacinação e Imunização), como a Bolívia, a Etiópia e o Paquistão. A partir de custos como o valor de internação, custo de medicamentos e a perda de produtividade, o estudo fez cálculos que somam duas décadas, de 2001 a 2020. O total de economia estimada foi de US$ 350 bilhões, o que equivale a US$ 45 milhões (cerca de R$ 250 milhões) por dia.

Publicado pelo National Center for Biotechnology Information, estudo pode ser acessado aqui.

Fonte: BBC e NCBI  

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