Vacina tríplice viral pode proteger contra COVID-19, segundo estudo

Por Nathan Vieira | 24 de Novembro de 2020 às 15h35
Thirdman/Pexels

Em meio à pandemia de COVID-19, uma luz no fim do túnel é a possibilidade de uma vacina. Muitas instituições e empresas privadas ao redor do mundo investem recursos e conhecimento para o desenvolvimento de uma candidata a vacina contra a doença em questão. Na última sexta-feira (20), o jornal da American Society for Microbiology publicou um novo estudo alegando uma relação entre a vacina tríplice viral (contra sarampo-caxumba-rubéola) e a uma menor gravidade de casos de COVID-19.

O imunizante estudado foi o MMR II, fabricado pela norte-americana Merck. "Encontramos uma correlação inversa estatisticamente significativa entre os níveis de titulação da caxumba e a gravidade da COVID-19 em pessoas com menos de 42 anos que foram vacinadas com a MMR II", explica um dos autores do estudo, o pesquisador Jeffrey E. Gold. Ele reitera que os achados do estudo se somam a outras associações que demonstram que a vacina MMR pode ser protetora contra a COVID-19.

"Também pode explicar por que as crianças têm uma taxa de casos de COVID-19 muito menor do que os adultos, bem como uma taxa de mortalidade muito menor. A maioria das crianças recebe a primeira vacinação MMR por volta dos 12 a 15 meses, e uma segunda dos 4 aos 6 anos", acrescenta.

Vacina tríplice viral (contra sarampo-caxumba-rubéola) pode proteger contra COVID-19, segundo estudo norte-americano (Imagem: McKinsey/Rawpixel)

No novo estudo, os pesquisadores dividiram 80 pessoas em dois grupos: o primeiro contava com 50 integrantes, que teriam principalmente anticorpos proporcionados pela vacina MMR II. O segundo grupo tinha 30 integrantes sem registro de vacinações MMR II, que teriam os anticorpos proporcionados por outras fontes, incluindo doenças anteriores como sarampo, caxumba ou rubéola. 

"Este é o primeiro estudo imunológico a avaliar a relação entre a vacina MMR II e COVID-19. A correlação inversa e estatisticamente significativa indica que há uma relação envolvida que justifica uma investigação mais aprofundada", disse o co-autor David J Hurley, PhD, professor e microbiologista molecular da Universidade da Geórgia.

"A vacina MMR II é considerada segura, com poucos efeitos colaterais. Se tiver o benefício final de prevenir a infecção de COVID-19 e reduzir a gravidade da infecção, é uma intervenção de taxa de risco de recompensa muito alta. A soropositividade máxima é alcançada por meio de duas vacinações com pelo menos 28 dias de intervalo", acrescentou o pesquisador.

Fonte: EurekAlert!

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