A curiosa combinação entre vacinas da AstraZeneca/Oxford + Sputnik V em uma só

A curiosa combinação entre vacinas da AstraZeneca/Oxford + Sputnik V em uma só

Por Fidel Forato | 11 de Dezembro de 2020 às 14h15
Anna Shvets/Pexels

Nesta sexta-feira (11), a farmacêutica AstraZeneca anunciou que irá testar uma combinação de sua vacina experimental contra a COVID-19, em parceria com a Universidade de Oxford, com o imunizante russo Sputnik V. A ideia desse teste combinado é aumentar a taxa de eficácia da fórmula desenvolvida pela farmacêutica britânica, segundo o Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF). O mais curioso é que a história começou no Twitter.

Em comunicado, a AstraZeneca afirmou que estuda uma forma de avaliar combinações de diferentes vacinas para imunização contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2) e, em breve, investigaria se as duas vacinas — tanto a britânica quanto a russa — poderiam funcionar melhor de forma combinada. Isso porque ambas adotam a mesma tecnologia, conhecida como vetor viral.

Vacina de Oxford deve ser testada de forma combinada com a Sputnik V (Imagem: Cottonbro/ Pexels)

Ainda não foram disponibilizados detalhes sobre os testes combinados ou sobre dosagens das vacinas. No entanto, o braço russo da AstraZeneca deve começar a inscrever adultos para o novo estudo clínico. Segundo o RDIF, esses testes começarão no final do ano.

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Caso funcionem da maneira esperada, a Rússia já sinalizou que poderá produzir, em conjunto, uma nova vacina contra a COVID-19, somando as duas fórmulas. Na corrida por vacinas, além de turbinar a fórmula, a parceria deve ser vista, em Moscou, como um voto de confiança do ocidente para a Sputnik V.

Somando a vacina de Oxford com a Sputnik V

Com participação do Ministério da Saúde da Rússia, o Instituto Gamaleya desenvolveu a vacina que atua de forma dupla na proteção contra o coronavírus, a partir da plataforma de vetor viral não replicante, em duas doses. Para garantir uma imunidade mais duradoura, os pesquisadores apostaram no uso combinado de dois tipos diferentes de vetores de adenovírus (rAd26 e rAd5), ambos conhecidos por causar um resfriado comum em humanos. Na Sputnik V, os dois vírus são editados geneticamente e têm incluído no material genético a proteína spike do coronavírus.

Segundo os desenvolvedores russos, os testes clínicos, ainda em andamento, mostraram que a Sputnik V tem uma taxa de eficácia de 95%, maior do que a própria vacina da AstraZeneca e semelhante às rivais norte-americanas Pfizer e Moderna. No entanto, os estudos ainda não foram publicados.

Pesquisa testará combinação da fórmula da vacina de Oxford com a da Sputnik V (Imagem: Reprodução/ Viktor Forgacs/ Unsplash)

De forma semelhante, a vacina contra a COVID-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, em parceria com a farmacêutica AstraZeneca, também utiliza a plataforma vetor viral não replicante. Só que, para isso, é usado um adenovírus, encontrado em chimpanzés, chamado ChAdOx1. Esse adenovírus é editado geneticamente e tem incluída, em seu material genético, a proteína em forma de espícula do novo coronavírus.

Segundo estudo já publicado, a vacina de Oxford demonstrou ter pelo menos 62% de eficácia contra o novo coronavírus com doses completas, sendo que, em um dos testes, o imunizante obteve 90%. A máxima eficácia foi obtida quanto os voluntários receberam meia dose e, no reforço, a dose completa da vacina. Até o momento, os pesquisadores não explicaram o porquê.

Origem da parceria? Twitter!

Segundo o RDIF, a parceria entre as vacinas contra a COVID-19 teria surgido depois que os desenvolvedores da Sputnik V sugeriram, no Twitter, que a AstraZeneca tentasse a combinação dos imunizantes. Isso aconteceu no mês passado, quando a vacina de Oxford divulgou os resultados provisórios de seu último estágio de teste. Dessa forma, esse teria sido o primeiro passo para a testagem em conjunto.

“A decisão da AstraZeneca de realizar testes clínicos usando um dos dois vetores da Sputnik V para aumentar a eficácia de sua própria vacina é um passo importante para unir esforços na luta contra a pandemia”, explicou Kirill Dmitriev, do RDIF, em um comunicado. “Esperamos que outros produtores de vacinas sigam nosso exemplo”, completou.

Ainda no começo da semana, Kate Bingham, presidente da força-tarefa de vacinação do Reino Unido, disse que o país testaria, no próximo ano, combinações de diferentes tipos de vacinas para maximizar a resposta imunológica contra a COVID-19.

Fonte: Reuters  

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