Sem COVID no espaço! Cosmonautas podem ser imunizados com a vacina Sputnik V

Por Fidel Forato | 10 de Dezembro de 2020 às 20h00
NASA

Na quarta-feira (9), a agência espacial russa anunciou que planeja oferecer a vacina contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2), a Sputnik V, para os seus cosmonautas. Na ocasião, a agência reforçou que a imunização contra a COVID-19, a partir da vacina desenvolvida pelo Instituto de Pesquisa Gamaleya, não será obrigatória.

Vale lembrar que, na semana passada, a Rússia deu início ao seu programa de vacinação, em massa, contra a COVID-19, com a vacina que homenageia o programa espacial responsável por levar ao primeiro satélite do mundo ao espaço. De acordo com os pesquisadores responsáveis pelo estudo clínico do imunizante, a Sputnik V apresenta uma taxa preliminar de eficácia de 95%, mas os estudos ainda não foram concluídos e nem publicados.

Inicialmente, os centros de vacinação, em Moscou, imunizariam apenas pessoas em grupos de risco para a COVID-19, como cardiopatas, além dos profissionais da saúde, assistentes sociais e professores. Isso porque a ideia era priorizar, com as primeiras doses, aqueles que mais correriam riscos com a infecção. Nesse sentido, o anúncio desta semana representa uma pequena mudança de planos ao incluir os cosmonautas.

Cosmonautas serão vacinados com a Sptunik V contra a COVID-19 (Imagem: Ake/ Rawpixel)

"Membros do corpo de cosmonautas e funcionários do Centro de Treinamento de Cosmonautas estarão entre os primeiros a serem vacinados", afirmou o chefe da agência espacial russa, Dmitry Rogozin, em um comunicado divulgado pelo Fundo Russo de Investimento Direto. O Fundo foi e continua sendo responsável pelo financiamento da vacina, durante os testes.

A vacina Sputnik V "terá um papel importante em garantir a segurança biológica do programa espacial russo", explicou o ministro da Saúde do país, Mikhail Murashko, no mesmo comunicado.

Cosmonautas e a vacina Sputnik V

Conforme a fala do ministro da Saúde, a intenção de vacinar os cosmonautas é para se evitar um eventual contágio da COVID-19 entre a equipe da agência espacial. No entanto, a vacinação da próxima tripulação que embarcará para a Estação Espacial Internacional (ISS) "ainda não foi decidida", segundo as autoridades do país.

Essa decisão será tomada pela Agência Médico-Biológica Federal Russa. De acordo com o cronograma da agência espacial, os próximos cosmonautas que embarcarão rumo à ISS — Oleg Novitsky, Pyotr Dubrov e Sergei Korsakov — o farão apenas em abril de 2021.

Com participação do Ministério da Saúde da Rússia, o Instituto Gamaleya desenvolveu a vacina que atua de forma dupla na proteção contra o coronavírus, a partir da plataforma de vetor viral não replicante, em duas doses. Para garantir uma imunidade mais duradoura, os pesquisadores apostaram no uso combinado de dois tipos diferentes de vetores de adenovírus (rAd26 e rAd5), ambos conhecidos por causar um resfriado comum em humanos. Na Sputnik V, os dois vírus são editados geneticamente e têm incluído no material genético a proteína spike do coronavírus.

Fonte: Space Daily  

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