Vacina de Oxford apresenta até 90% de eficácia contra a COVID-19; entenda

Vacina de Oxford apresenta até 90% de eficácia contra a COVID-19; entenda

Por Fidel Forato | 23 de Novembro de 2020 às 20h40
Cottonbro/Pexels

Na corrida por uma vacina e segura contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2), cada vez mais farmacêuticas, de todo o mundo, anunciam os resultados da terceira e última fase de testes. Depois da Pfizer e da Moderna, nesta segunda-feira (23), a farmacêutica AstraZeneca afirma que o imunizante conhecido pelo nome de vacina de Oxford pode apresentar uma eficácia de até 90%, conforme a dosagem. Este estudo clínico envolveu 24 mil pessoas.

Durante a semana passada, o imunizante da Pfizer obteve 95% de eficácia na prevenção da COVID-19, enquanto a vacina Moderna alcançou 94,5% de eficácia. Mesmo que a vacina de Oxford, desenvolvida no Reino Unido, tenha obtido uma taxa menor, ela continua sendo uma boa aposta contra a pandemia do coronavírus e oferece uma série de vantagens em sua distribuição. Por enquanto, os dados do estudo ainda não foram revisados por outros cientistas e nem publicados em uma revista científica.

Vacina de Oxford alcança até 90% de eficácia contra a COVID-19, dependendo da dosagem (Imagem: Reprodução/ Cottonbro/ Pexels)

Testes com a vacina de Oxford

Para desencadear a imunização nos voluntários, a vacina de Oxford utiliza a plataforma vetor viral não replicante. Para isso, é usado um adenovírus, um tipo de vírus normalmente encontrado em chipanzés, conhecido pelo nome de ChAdOx1. Esse adenovírus é editado geneticamente e tem incluído, em seu material genético, a proteína spike que funciona como um identificador do coronavírus.

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Até a terceira fase de testes, os cientistas apostavam em duas doses completas para a melhor imunização contra a COVID-19. No entanto, as análises estatísticas observaram que quando um voluntário recebia essas duas doses, a taxa de eficácia diminuía e ficava em 62%.

Vale destacar que essa taxa representa a proporção de redução de casos entre o grupo de pessoas vacinadas comparado com o grupo não vacinado (que recebeu o placebo, como é protocolar em estudos duplos-cegos). Dessa forma, ao afirmar que uma vacina apresenta 62% de eficácia, pode ser entendido como: uma pessoa vacinada tem 62% menos chances de contrair esta infecção, quando comprada com quem não recebeu o imunizante.

Diferentes dosagens da vacina contra a COVID-19

Como se tratava de um estudo clínico, onde não existem verdades pré-definidas, os pesquisadores testaram diferentes dosagens da vacina — e aí está a surpresa. A mesma vacina de Oxford obteve 90% de eficácia quando administrada, primeiro, em meia dose e, em seguida, em uma dose completa com intervalo de pelo menos um mês. Pelo menos foi essa conclusão das análises de dados obtidos tanto com voluntários do Reino Unido quanto no Brasil.

Como o regime com menor dose de vacinação contra a COVID-19 obteve uma maior taxa de eficácia, este é a primeira vantagem do imunizante. Isso porque, nos primeiros meses, o acesso às vacinas serão limitados devido à produção. Dessa forma, mais pessoas poderão ser imunizadas ainda na primeira leva. 

Na análise, a farmacêutica somou os resultados obtidos com os dois tipos de dosagem e indicou uma eficácia média de 70,4%. Para chegar a esses resultados, os pesquisadores do Reino Unido analisaram os dados de 11.636 pessoas vacinadas. Dessas, 8.895 receberam as duas doses completas, enquanto 2.741 receberam a meia dose seguida de uma dose completa.

Duante o estudo, foram registrados 131 casos da COVID-19 entre os voluntários. A maioria (101) foi identificada entre os que receberam o placebo e apenas 30 estavam entre os que receberam a vacina de Oxford. Além disso, não houve nenhum caso grave de coronavírus entre os vacinados. Quanto ao perfil dos voluntários, só se sabe que todos eram maiores de 18 anos e tinham uma condição de saúde saudável ou apresentavam doenças crônicas estáveis (sem detalhar quais).

Armazenamento mais simples da vacina

Mais uma vantagem da vacina de Oxford é a sua facilidade de transporte, já que pode ser armazenada, transportada e manuseada em condições normais de refrigeração —  em temperaturas entre -2°C e -8°C — por pelo menos seis meses. Em comparação, a vacina da Pfizer deve ser armazenada a -70ºC durante o transporte, e a da Moderna precisa ficar a -20ºC.

De acordo com a cientista e pesquisadora do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Izabella Pena, o imunizante poderá chegar até 1,5 bilhão de pessoas até o final de 2021. "A Astrazeneca afirmou ser capaz de escalonar a produção para até 3 bilhões de doses da vacina até o final de 2021", afirmou Pena, nas redes sociais. Outra vantagem desatacada foi a facilidade do transporte, já que as temperaturas necessárias são as mesmas de um freezer comum.

Para a vacinação de brasileiros, o ministério da Saúde, conforme divulgou em outubro, prevê 100 milhões de doses da vacina de Oxford para o primeiro semestre de 2021 e outras 100 a 165 milhões para o segundo semestre. Dessa forma, a vacina poderá ser uma importante forma de combate ao coronavírus, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS).

Fonte: BBC  

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