Vacina contra herpes zóster chega ao Brasil por R$ 1.686

Vacina contra herpes zóster chega ao Brasil por R$ 1.686

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 20 de Junho de 2022 às 13h40
Twenty20photos/Envato Elements

Nova vacina contra o herpes zóster — doença popularmente conhecido como cobreiro — começa a chegar em algumas clínicas particulares no Brasil. Desenvolvido pela farmacêutica britânica GSK, o imunizante Shingrix deve custar R$ 843, por dose. Como o esquema vacinal previsto é de duas doses, a imunização deve sair, em média, por R$ 1.686.

A vacina contra o herpes zóster foi autorizada, em agosto de 2021, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, agora, começa a chegar no país. A expectativa da GSK é que as clínicas privadas tenham um estoque considerável da fórmula até julho. Por enquanto, não há previsão do imunizante ser disponibilizado através do Sistema Único de Saúde (SUS).

Vacina da GSK contra a herpes zóster deve custar R$ 1.686 (Imagem: Nearxiii/Freepik)

Fora do Brasil, a vacina Shingrix já foi licenciada para uso pela União Europeia. Além disso, outros países também a autorizaram, como EUA, Canadá, Japão e China.

Quanto custa a vacina da GSK?

De acordo com a farmacêutica GSK, a vacina Shingrix contra o herpes zoster é administrada em duas doses com intervalo de dois meses entre cada. No Brasil, cada dose deve custar aproximadamente R$ 843. Somando as duas doses, o processo de imunização deve custar cerca de R$ 1.686.

Para chegar a este valor, foi somado o valor definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e mais 18% de ICMS (Imposto). Apesar do valor inicial, doses do imunizante podem ser comercializados por valores mais caros no Brasil. Isso porque o ICMS pode variar em cada região do país e as clínicas particulares podem praticar valores próprios.

Quem pode usar a vacina contra herpes zóster?

A nova vacina contra o herpes zóster é recomendada para a imunização de dois públicos distintos:

  • Pessoas com 50 anos ou mais;
  • Pessoas com mais 18 anos e com risco aumentado de contrair a doença, como os imunocomprometidos (pacientes em tratamento de câncer, pessoas que vivem com HIV, indivíduos que vão se submeter a transplantes de medula óssea ou órgãos).

Nos testes clínicos — que foram compartilhados com a Anvisa para a aprovação —, a eficácia da vacina Shingrix foi estimada em 97% para pessoas entre 50 e 69 anos.

É segura mesmo para imunossuprimidos?

Apesar da vacina da GSK ser nova no mercado, o Brasil já conta comum outro imunizante disponível contra esta doença, da farmacêutica norte-americana Merck (MSD). A questão é que o uso da fórmula existente é mais restrito.

Com esquema vacinal de duas doses, vacina Shingrix é segura para imunnossuprimidos (Imagem: FabrikaPhoto/Envato)

"Até meados de 2022, a única vacina disponível para prevenir o HZ [herpes zóster] e suas complicações no Brasil era a Zostavax, de vírus vivos atenuados, administrada em dose única, por via subcutânea, e licenciada para adultos imunocompetentes acima de 50 anos", explica nota técnica da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). "No entanto, para imunocomprometidos, a vacina é contraindicada, salvo algumas exceções que constam em bula e devem ser avaliadas pelo médico", acrescenta.

Segundo a SBIm, o imunizante da GSK é o primeiro, no Brasil, que pode ser aplicado em pessoas imunossuprimidas. “É uma vacina que se mostra segura para imunossuprimidos acima de 18 anos, pois ela não é produzida a partir de vírus vivo”, explica Gunnar Riediger, Líder da Unidade de Negócios BioTech da GSK, em comunicado.

Quais são as reações do imunizante?

De acordo com a SBIm, "os eventos adversos mais comuns são os locais (dor, edema e vermelhidão), geralmente de intensidade leve a moderada e são transitórios". Além disso, o paciente pode apresentar outras reações sistêmicas, como:

  • Cansaço;
  • Calafrios;
  • Febre;
  • Mialgia (dor muscular).

Qual é a ligação da doença com o vírus da catapora?

Vale lembrar que o herpes zóster é causado pela reativação do vírus varicela zoster. Este é o mesmo agente infeccioso que causa a catapora. “O vírus [da catapora] fica adormecido no organismo por anos e, em algum momento da vida, quando a imunidade do paciente enfraquece, ele pode ser reativado”, explica Jessé Reis Alves, infectologista e gerente médico de vacinas da GSK.

Outras complicações do herpes zoster podem incluir o herpes zoster oftálmico, que causa sequelas oculares agudas ou crônicas. Em casos raros, o vírus também pode provocar a Síndrome de Ramsay Hunt, que afeta a face do paciente. Esta síndrome foi recentemente relatada pelo cantor Justin Bieber.

Fonte: Com informações: SBIm  

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