Herpes passa pelo beijo? Entenda o que pode transmitir a doença

Herpes passa pelo beijo? Entenda o que pode transmitir a doença

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 18 de Fevereiro de 2022 às 10h30
Charly Pn/Unsplash

Sim. O herpes pode ser transmitido pelo beijo, principalmente quando a infecção está em sua fase aguda e a pessoa apresenta feridas — com pus ou não — nos lábios. Essas manifestações visíveis da doença tendem a durar de 5 a 10 dias, mas não há cura para o vírus.

Vale explicar que a doença é uma das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) mais comuns. E o que conhecemos como "herpes" pode ser causado por dois vírus diferentes:

  • Herpes labial ou oral: conhecido oficialmente como Herpes Simplex Virus Tipo 1 (HSV-1);
  • Herpes genital: chamado como Herpes Simplex Virus Tipo 2 (HSV-2).

Como o próprio nome indica, o herpes oral é transmitido, na maior parte das vezes, pelo beijo. Agora, o herpes genital costuma ser transmitido pelo sexo vaginal, anal ou oral. Essa é a regra, mas algumas exceções podem ocorrer, principalmente, quando há o sexo oral. Nesses casos, a contaminação pode ser o contrário da regra. Em outras palavras, o herpes genital pode se manifestar na boca e vice-versa.

Pessoa contaminada pode transmitir o herpes durante o beijo, prinicipalmente na fase aguda (Imagem: Reprodução/Vadymvdrobot/Envato)

Recomendação: não beije ou coloque sua ferida em contato com a pele de outra pessoa durante a fase aguda do herpes.

Tipo de beijo importa?

Na verdade, o tipo de beijo que uma pessoa com herpes dá — quando está com feridas nos lábios — pouco importa para a transmissão. Isso porque um beijo de língua ou um selinho podem transmitir o vírus, dependendo de cada circunstância.

De modo geral, o herpes é transmitido pelo contato com a pele e a mucosa infectada. Além disso, secreções da vagina, do pênis ou do ânus e fluidos orais (saliva) de alguém infectado também podem transmitir a doença, de acordo com a Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp.

Quando o risco de transmissão é maior?

Manifestações do herpes começam com um inchaço e vermelhidão nos lábios, como se formasse uma bolha (Imagem: Reprodução/CDC/Dr. Hermann)

Antes das bolhas e feridas se formarem no lábio, a pessoa costuma sentir alguns sinais de alerta, como ardência, queimação e coceira na região em que irão eclodir. Mesmo que nesse estágio a lesão ainda não seja visível, não é recomendado que a pessoa, por exemplo, beije.

Após os primeiros sinais, é normal que apareçam pequenas bolhas agrupadas sobre uma determinada área, que costuma ficar vermelha e inchada. Em seguida, elas se rompem e liberam pus, o que forma pequenas feridas. Esta é a fase em que a doença é mais transmissível.

De maneira natural ou acelerada por um tratamento antiviral, as feridas começam a secar e forma-se uma crosta no lugar dos machucados. Todo o processo leva, no máximo, 10 dias. Apesar do herpes ser mais facilmente transmitido quando as feridas estão abertas, a infecção pode ser passada até por pessoas assintomáticas.

Cuidado com copos e talheres

Durante os surtos, é importante evitar o uso compartilhado de copos, talheres e outros objetos que tenham entrado em contato com a saliva de uma pessoa portadora do vírus.

No entanto, é muito improvável que o herpes se espalhe por assentos sanitários, piscinas, banheiros, banheiras de hidromassagem ou toalhas úmidas. Isso porque o tempo de vida do vírus fora do corpo é bastante curto.

Quando as feridas do herpes estouram, a doença está na sua fase mais contagiosa (Imagem: Reprodução/CDC/Robert E. Sumpter)

Além disso, é possível que uma mãe infectada transmitia o vírus para o bebê durante ou após o parto, caso os devidos cuidados não sejam tomados. Quando ocorre a transmissão, estes casos são conhecidos como herpes neonatal.

A doença tem cura?

Até o momento, a ciência não descobriu uma cura para o herpes oral ou genital. Isso significa que a pessoa permanecerá com o vírus por toda a vida, mas, na maior parte do tempo, ele deve se manter de forma latente, ou seja, as feridas não ficarão sempre visíveis — apenas em momentos específicos.

"Após o primeiro surto, o vírus se move das células da pele para as células nervosas. O vírus permanece nas células nervosas para sempre", explica a American Academy of Dermatology Association (Aada).

Segundo os especialistas da associação, os seguintes fatores podem "acordar" o vírus latente:

  • Estresse;
  • Doenças;
  • Febre;
  • Exposição prolongada ao Sol;
  • Períodos menstruais;
  • Cirurgias.

Tratamento para a infecção

Antivirais são recomendados para o alívio dos sintomas do herpes e também aceleram recuperação (Imagem: Reprodução/Twenty20photos/Envato)

Mesmo que a cicatrização das feridas tenda a ser natural, é normal realizar tratamentos específicos para a acelerar o processo de recuperação e trazer alívio dos sintomas. Nesses casos, é indicado o uso de medicamentos antivirais, podendo ser pomadas ou comprimidos.

Vale lembrar que, antes de iniciar qualquer tratamento, é recomendado buscar orientação médica adequada — até para a confirmação do quadro.

Afinal, herpes é comum?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 3,7 bilhões de pessoas convivam com o herpes oral. Em porcentagem, isso significa dizer que cerca de 66,6% da população mundial com até 49 anos carrega o vírus. No caso do herpes genital, a doença chega a afetar 491,5 milhões de pessoas com 15 a 49 anos, representando 13,2% da população mundial nessa faixa etária.

“A infecção por herpes afeta milhões de pessoas em todo o mundo e pode ter efeitos de longo alcance na saúde. Precisamos de mais investimento e compromisso para desenvolver melhores ferramentas de tratamento e prevenção para esta infecção”, explica Sami Gottlieb, médico da OMS e um dos autores do estudo sobre os casos globais do herpes.

Herpes zóster (cobreiro)

Além do herpes oral (HSV-1) e genital (HSV-2), existe um terceiro tipo de agente infeccioso: o vírus HHV-3, também conhecido como vírus Varicela-Zoster (VZV) ou Herpes Zoster Vírus (HZV). Tanto a catapora quanto o herpes zóster são causados por este terceiro tipo.

Contudo, a catapora (varicela) é a fase aguda e primária da infecção pelo vírus, ou seja, ela aparece na primeira vez em que o organismo entra em contato com o HZV. Em seguida, o agente infeccioso entra numa fase latente e, eventualmente, pode se manifestar. Nesses casos, a doença recebe o nome de herpes zóster, também conhecido como cobreiro.

No caso do HVZ, a doença pode ocorrer através do contato com as feridas, mas também pode ser transmitida através de secreções respiratórias, como tosse, espirro, saliva. De modo geral, a catapora é conhecida como uma doença altamente transmissível.

Fonte: Ministério da Saúde, Healthline, OMS e AADA    

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