Usuários relatam enjoo ao usar celulares com telas OLED de baixa frequência
Por Lillian Sibila Dala Costa • Editado por Luciana Zaramela | •

Relatos de que o uso de celular está começando a causar enjoos e ardência nos olhos a ponto de impossibilitar o uso por mais do que alguns segundos sem desconforto começaram a surgir na internet. O problema não é a idade, o vício e nem qualquer conspiração envolvendo fabricantes de smartphones, mas sim um detalhe aparentemente inofensivo na tela de aparelhos novos: a modulação por largura de pulso (MLP).
A modulação por largura de pulso está relacionada com o método que telas digitais escurecem, ou melhor, diminuem a intensidade da luminosidade quando operam abaixo de 100% de brilho. O problema está, mais especificamente, nas telas OLED dos smartphones, que estão ficando cada vez mais populares nos dispositivos de mão, mesmo ainda sendo relativamente novas no meio — e que vêm sem opções de acessibilidade em relação à luz e sensibilidade a algumas tecnologias.
Como funciona a iluminação OLED
Em uma tela OLED, basicamente, todos os pixels que não estão mostrando o chamado “preto real” estão iluminados — isso com o brilho a 100%. Quando uma tela OLED diminui o brilho, algo geralmente automático quando o usuário troca de ambiente, esses pixels não têm o brilho reduzido, curiosamente, ficando sempre a 100%.
Isso acontece porque esse tipo de tela é feito de diodos emissores de luz, ficando ligados ou desligados, sem meio termo. Os pixels que não estão mostrando a cor preta ligam e desligam várias vezes por segundo, enganando os olhos, fazendo parecer que a tela está mais escura. Quanto mais baixo o seletor de brilho estiver em um celular com tela OLED, mais tempo a tela ficará desligada durante o ciclo, funcionando como uma espécie de estrobo.
Os smartphones mais modernos estão usando taxas de escurecimento de 240 Hz ou menos — e, ao longo do tempo, ela tem diminuído cada vez mais. A sensibilidade à MLP ocorre com mais facilidade em frequências mais baixas, e isso explica por que cada vez mais usuários têm reclamado de desconforto ao utilizar aparelhos móveis. A maioria das pessoas sensíveis à MLP precisa de telas com pelo menos 500 Hz de taxa de escurecimento.
Nas telas LCD, esse problema praticamente não existe, já que os celulares que utilizam MLP para o escurecimento começam nos 1.000 Hz, e há outros que usam escurecimento por corrente contínua, que de fato diminui a luz de fundo da tela. No mercado das televisões, há aparelhos OLED que não usam escurecimento MLP, evitando que a tela “pisque”, mas isso aumenta as chances de burn-in, ou marcação permanente da tela no formato da luz comumente exibida no mesmo lugar.
Tanto nos celulares quanto nas TVs, a diminuição da frequência MLP ajuda a reduzir o burn-in, e é por isso que o avanço da tecnologia tem ido nessa direção. Como, então, contornar o problema?
Soluções para o enjoo por sensibilidade à MLP
Uma das soluções óbvias seria procurar celulares com telas LCD, simplesmente, e há muitos aparelhos baratos com a tecnologia, ainda sendo a predominante no mercado. O problema fica para os entusiastas de smartphones novos e tecnológicos, que têm usado, predominantemente, telas OLED.
À medida que tais telas ficam mais difundidas nos aparelhos móveis, usuários com sensibilidade ficarão sem o melhor da tecnologia, como câmeras de alta qualidade ou performance alta. Algumas tecnologias buscam combater esse problema, como a Eazeye, ideia atualmente em financiamento coletivo que planeja utilizar a luz natural do ambiente para iluminar a tela de monitores e outros aparelhos, resolvendo também outros problemas de fadiga visual.
Alguns usuários, no entanto, têm buscado a solução ao reclamar diretamente com as empresas, que devem estar cientes do problema e precisam tomar medidas para garantir que seus clientes possam usufruir da tecnologia sem desconforto — focando no bem-estar primeiro, e no avanço tecnológico depois.
Há, inclusive, uma petição online direcionada à Apple para que a empresa pare de utilizar dithering (ruído digital também chamado de matização para criar tons intermediários) e MLP em seus smartphones, aumentando a conscientização sobre o problema.
Caso você esteja na dúvida se sofre de sensibilidade à MLP ou não, é simples: caso tenha sintomas de dor de cabeça, ardência ou dor nos olhos e náuseas ao utilizar o celular, passe a deixar a tela com 100% de brilho o tempo todo e veja se o problema some. Se a resposta for sim, você sofre do problema.
Fonte: Android Center