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Uso contínuo de benzodiazepínicos atrofia regiões do cérebro

Por  • Editado por  Luciana Zaramela  | 

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James Coleman/Unsplash
James Coleman/Unsplash

Receitados para aliviar a ansiedade ou mesmo a insônia, os remédios benzodiazepínicos podem causar a diminuição de algumas regiões no cérebro, como uma espécie de “atrofia”, quando usados de forma prolongada. É o que aponta estudo desenvolvido pelo Centro Médico da Universidade Erasmus, na Holanda.

Publicado na revista BMC Medicine, o estudo identificou a redução no volume de duas regiões no cérebro: o hipocampo e a amígdala. Apesar da retração, os benzodiazepínicos não foram associados com um risco aumentado para a demência. Este resultado diverge de outros pesquisas do tipo.

Com base nas novas descobertas sobre o uso contínuo e prolongado desses medicamentos ansiolíticos, novas diretrizes podem ser pensadas, limitando os possíveis efeitos adversos.  

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O que são benzodiazepínicos?

Os benzodiazepínicos se conectam a um receptor conhecido como ácido gama-aminobutírico (GABA), relacionado com a atividade neural. Através da medicação, a capacidade de excitação é reduzida, e a pessoa tende a apresentar uma sensação de relaxamento. Entre os remédios do tipo mais populares, estão: 

  • Diazepam;
  • Alprazolam;  
  • Bromazepam;
  • Lorazepam;
  • Clonazepam.

No Brasil, esses medicamentos são classificados como “tarja preta” e somente podem ser vendidos com receitas médicas especiais. A restrição na venda se deve ao fato de que podem causar dependência, quando não são usados de forma adequada. 

Impacto do uso contínuo no cérebro

No recente estudo sobre o impacto dos benzodiazepínicos no cérebro, os pesquisadores holandeses analisaram dados de 5,4 mil pessoas, com 60 anos ou mais, que que não apresentavam nenhum nível de comprometimento cognitivo no início da pesquisa. 

Ao longo dos anos de acompanhamento (em alguns casos, isso começou em 1990), os participantes realizaram testes cognitivos e passaram por ressonância magnética cerebral (RM) para avaliar o cérebro. Também foram analisados registros sobre o uso de medicamentos, incluindo a dosagem e a duração.

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Após analisar os dados, com o uso prolongado, "observamos associações com redução acelerada no volume hipocampal e, em menor extensão, da amígdala ao longo do tempo”, afirmam os autores. As regiões exercem importante papel para a memória e na regulação do humor. 

Risco de demência?

Apesar da redução em regiões do cérebro, os cientistas não encontraram nenhuma associação significativa entre o uso de benzodiazepínicos e o risco aumentado para demência

"O uso geral de benzodiazepínicos não foi associado ao aumento do risco de demência", pontuam os autores. Entretanto, o grupo não descarta a necessidade de uma "investigação mais aprofundada" no futuro, ainda mais com uso tão abrangente desses medicamentos.

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Fonte: BMC Medicine