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Ultraprocessados aumentam risco de sintomas depressivos

Por| Editado por Luciana Zaramela | 31 de Maio de 2024 às 12h17

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A ciência já sabe que ultraprocessados representam riscos para saúde mental, e um estudo realizado pelo Nupens (Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde) da USP mostra que esses alimentos aumentam em 42% o risco de sintomas depressivos. 

A pesquisa se concentrou nos dados de 16 mil pessoas, que relataram semestralmente os principais alimentos consumidos e o estado de saúde mental. 

Os participantes do estudo foram divididos entre os que consumiam mais ultraprocessados (38,9% do total de calorias ingeridas no dia) e menos (7,3% das calorias consumidas).

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Chega-se, então, a uma média: ultraprocessados representam 21,6% da dieta das pessoas analisadas. A conta dos pesquisadores também menciona um aumento de 10% de sintomas depressivos a cada 10% a mais de alimentos ultraprocessados no cardápio diário.

Eis, ainda, uma preocupação apresentada no estudo: comer frutas, verduras e legumes não anula o efeito nocivo do alto consumo de ultraprocessados.

Segundo o estudo, a causa dos problemas psiquiátricos está principalmente nos aditivos químicos presentes nos alimentos ultraprocessados, devido às alterações realizadas na microbiota intestinal, levando a um desequilíbrio na absorção dos nutrientes.

Estudos já mostraram que, justamente seguindo essa linha de raciocínio, as bactérias do intestino podem influenciar na depressão. Por outro lado, outra estimativa feita pelo próprio Nupens é que nos últimos dez anos, o consumo de alimentos ultraprocessados pelos brasileiros teve aumento médio de 5,5%.

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Ultraprocessados e saúde mental

De acordo com Renato Zilli — endocrinologista, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e membro do Corpo Clínico do Hospital Sírio-Libanês — altos níveis de açúcares refinados podem causar picos rápidos de glicose no sangue seguidos por quedas bruscas, e essas flutuações de açúcar no sangue podem levar a mudanças de humor, irritabilidade e fadiga.

"Muitos alimentos ultraprocessados são ricos em gorduras trans e óleos vegetais refinados, que podem promover inflamação no corpo, um fator que tem sido associado à depressão. Esses alimentos geralmente têm baixo valor nutricional e podem levar a deficiências de vitaminas e minerais essenciais para a saúde mental, como o ômega-3, vitaminas do complexo B e magnésio", explica o médico.

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Esses alimentos são formulados principalmente a partir de substâncias extraídas de alimentos (óleos, gorduras, açúcares, amido, proteínas) ou sintetizadas em laboratório (corantes, aromatizantes, emulsificantes, conservantes).

Alimentação balanceada

Segundo o especialista, estudos longitudinais e ensaios clínicos têm mostrado que dietas ricas em alimentos integrais, como frutas, vegetais, peixes e grãos inteiros, estão associadas a uma menor incidência de depressão e ansiedade.

"Dietas ricas em alimentos anti-inflamatórios podem reduzir os níveis de inflamação e estresse oxidativo, que são fatores de risco para transtornos mentais. Alimentos integrais promovem um microbioma intestinal saudável, que tem sido associado à melhora do humor e do funcionamento cognitivo", orienta.

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Com isso, podemos observar que as dietas ricas em nutrientes essenciais ajudam a regular neurotransmissores como a serotonina e a dopamina, que são fundamentais para o humor, uma vez que alimentos integrais podem ajudar a reduzir os sintomas de ansiedade e depressão e uma alimentação balanceada pode levar a níveis mais estáveis de energia e melhor função cognitiva.

O especialista também sugere estratégias práticas para fazer a transição de uma dieta baseada em ultraprocessados para uma alimentação mais saudável: planejar e preparar refeições com antecedência pode ajudar a evitar a tentação de alimentos ultraprocessados. Ler rótulos e escolher alimentos com menos ingredientes e sem aditivos artificiais e cozinhar mais refeições em casa usando ingredientes frescos e integrais também pode ajudar.

Fonte: Nupens USP, Agência Brasil