Terceira dose da Pfizer protege contra Ômicron, apontam dois novos estudos

Terceira dose da Pfizer protege contra Ômicron, apontam dois novos estudos

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 21 de Janeiro de 2022 às 16h18
Gstockstudio/Envato Elements

São necessárias três doses da vacina da Pfizer/BioNTech para que a pessoa obtenha a proteção necessária contra a variante Ômicron (B.1.1.529) do coronavírus SARS-CoV-2, segundo dois novos estudos. Uma das pesquisas foi liderada por cientistas da empresa de biotecnologia alemã BioNTech e a outra envolveu a participação dos pesquisadores do Francis Crick Institute, no Reino Unido.

Vale lembrar que, no momento, o mundo vive uma nova onda da pandemia, provocada pela Ômicron. No Brasil, a média móvel de novos casos é de 110 mil por dia, segundo o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). Diante desse cenário, autoridades públicas reforçam a importância do reforço da vacina, como a da Pfizer.

Proteção contra Ômicron é obtida com três doses da vacina da Pfizer (Imagem: Reprodução/Oneinchpunchphotos/Envato Elements)

"Esta nova variante pode superar o bloqueio imunológico colocado por duas doses de vacina, mas felizmente, após a terceira dose, a atividade neutralizante é robusta na grande maioria das pessoas. Uma terceira dose aumenta nossas defesas, dificultando o vírus a causar uma forma grave da covid-19", explica Emma Wall, do University College London Hospitals, em comunicado.

Estudo britânico sobre a terceira dose

Publicado na revista científica The Lancet, o estudo dos pesquisadores do Francis Crick Institute avaliou a capacidade de neutralização dos anticorpos tanto da vacina da Pfizer quanto da AstraZeneca/Oxford após a terceira dose. Foram analisadas 620 amostras de sangue de 364 pessoas.

A pesquisa descobriu que os anticorpos gerados por pessoas que receberam apenas duas doses da vacina da AstraZeneca ou da vacina Pfizer eram menos capazes de neutralizar a Ômicron em comparação com as variantes Alpha (B.1.1.7) e Delta (B.1.671.2).

Para sermos mais precisos, nas pessoas que tomaram as duas doses da Pfizer, o nível de neutralização média foi cerca de três vezes menor contra a Ômicron em comparação com a Delta. Para os imunizados com a AstraZeneca, não foi possível estabelecer os níveis em relação à Ômicron.

Por outro lado, a equipe de pesquisadores britânicos observou que a terceira dose aumentou os níveis de anticorpos que efetivamente neutralizavam a Ômicron. Após o reforço da Pfizer, esses níveis eram semelhantes aos alcançados anteriormente contra Delta após duas doses.

Estudos mediram eficácia de anticorpos contra a covid-19 (Imagem: Reprodução/iLexx/Envato Elements)

É importante observar que os níveis de anticorpos não permitem estimar, de fato, a eficácia da vacina, mas são um indicador de proteção. É como se os anticorpos já estivessem preparados e em alerta, dentro da corrente sanguínea, para atacar possíveis infecções causadas pelo coronavírus.

Estudo da BioNTech sobre o reforço

Ainda nesta semana, foi divulgado um outro estudo, publicado na revista Science, sobre a importância do reforço contra a covid-19. Liderada por cientistas da BioNTech, a pesquisa analisou amostras de sangue de 51 participantes que receberam duas ou três doses da vacina da Pfizer/BioNTech.

Novamente, o nível de neutralização caiu drasticamente naqueles que receberam apenas duas doses. No entanto, "um mês após a terceira dose da vacina, os títulos de neutralização contra a Ômicron aumentaram 23 vezes em comparação com duas doses", detalham os pesquisadores, no artigo.

Diante desses dados, os cientistas concluem que "a exigência de uma terceira dose de vacina para neutralizar efetivamente a Ômicron foi confirmada usando o SARS-CoV-2 vivo em um subconjunto de participantes".

Fonte: The Lancet e Science   

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.