Ômicron: segredo de picos e surtos pode estar no esgoto

Ômicron: segredo de picos e surtos pode estar no esgoto

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 21 de Janeiro de 2022 às 14h40
Manfred Antranias Zimmer/ Pixabay

Nos Estados Unidos, pesquisadores investigam, literalmente, o esgoto para entender os rumos da pandemia da covid-19. No momento, o país enfrenta uma nova onda provocada pela variante Ômicron (B.1.1.529) do coronavírus SARS-CoV-2. Em alguns locais, os dados — colhidos na rede de esgoto — apontam que o pico já passou.

Para entender a relação entre o esgoto e a covid-19, é preciso lembrar que pessoas infectadas eliminam também o coronavírus nas fezes, além de expelir partículas virais enquanto falam ou espirram. Inclusive, um estudo chinês sugere que inalar o cheiro das fezes pode ser, eventualmente, uma fonte de transmissão da doença, dependendo da carga viral do indivíduo.

Pesquisadores investigam rede de esgoto e identificam a situação local da variante Ômciron (Imagem: Reprodução/Keo Oran/Unsplash)

Para além da questão da transmissão, pesquisadores norte-americanos — e membros de centros de pesquisa de outras partes do mundo, incluindo o Brasil — entendem que a concentração do vírus nas águas residuais locais fornecem um sinal do quanto a covid-19 está circulando em uma determinada comunidade.

Vigilância das águas residuais

Hoje, os dados de esgoto dos EUA apontam que a variante Ômicron está crescendo em diferentes pontos do país, enquanto declinam em outras partes. “A vigilância de águas residuais é uma ferramenta realmente poderosa, e estamos vendo um bom exemplo disso com a Ômicron”, explicou a pesquisadora Amy Kirby para o The New York Times.

“Não é apenas um sinal de alerta precoce, mas também é útil monitorar a trajetória completa de um aumento", afirma Kirby. A pesquisadora é parte do Sistema Nacional de Vigilância de Águas Residuais, projeto desenvolvido pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças, em 2020.

Esgoto e casos da covid

Segundo levantamento da Biobot Analytics — uma empresa que rastreia o coronavírus SARS-CoV-2 em águas residuais em 25 estados norte-americanos —, as concentrações virais já começaram a diminuir em algumas grandes cidades, mas ainda crescem em comunidades menores.

Na cidade de Boston, os dados da Biobot sugerem que a carga viral das águas residuais está em queda desde o início de janeiro. A partir disso, a equipe entende que o vírus da covid-19 tenha alcançado o pico desta onda da pandemia no local. O mesmo parece ocorrer na cidade de Nova York. Só que, no estado da Flórida, alta de casos ainda é esperada.

Fonte: NYT  

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