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Síndrome de Havana não deixa sinais de danos neurológicos

Por| Editado por Luciana Zaramela | 20 de Março de 2024 às 16h21

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cookelma/envato
cookelma/envato

O mistério em torno da síndrome de Havana ficou ainda maior na última terça-feira (18), com as considerações de um estudo apresentado no periódico Journal of the American Medical Association. Isso porque a condição não deixa sinais de danos neurológicos, o que desperta ainda mais dúvidas sobre sua causa.

A síndrome de Havana surgiu em 2016, quando diplomatas americanos em Cuba começaram a relatar uma série de sintomas inexplicáveis, como dor de cabeça, tontura, perda auditiva e zumbido nos ouvidos.

Não foi encontrada nenhuma evidência conclusiva que confirmasse a existência desses ataques, e a condição segue como um enigma que ninguém consegue decifrar.

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Essa completa incerteza leva a síndrome de Havana a ser objeto de intensa investigação por parte de autoridades de saúde, agências governamentais e especialistas em segurança.

Sem danos neurológicos

Em 2019, uma dessas investigações conseguiu chegar à conclusão de que pacientes com a síndrome apresentavam redução na substância branca do cérebro — responsável pela comunicação entre diferentes regiões, e até mesmo entre determinadas partes do sistema nervoso central.

Em contrapartida, o novo estudo chega para contestar essa afirmação. O grupo de cientistas comparou a estrutura cerebral de 81 pacientes com síndrome de Havana e 48 pessoas saudáveis, e não encontraram diferenças significativas.

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De acordo com a análise, os cérebros das pessoas com síndrome de Havana permaneceram estáveis ​​ao longo do tempo. Em outro experimento, esse mesmo time de cientistas comparou exames de ressonância magnética de 86 pessoas com síndrome de Havana com os de 30 indivíduos saudáveis, só para voltar à estaca zero: sem sinais de danos neurológicos.

Também "não houve diferenças significativas entre os participantes com a síndrome e os participantes controle na maioria dos testes de função auditiva, vestibular, cognitiva ou visual, bem como nos níveis de biomarcadores sanguíneos".

Teorias da conspiração

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Durante o surgimento da síndrome, os relatos iniciais dos sintomas da síndrome levaram o governo dos Estados Unidos a retirar parte de seu pessoal diplomático de Cuba e até mesmo a expulsar diplomatas cubanos do país.

Isso porque os sintomas foram inicialmente associados a possíveis ataques com armas sonoras ou dispositivos de micro-ondas direcionados, com teorias que remetiam ao envolvimento de agentes estrangeiros.

Por enquanto, nada foi confirmado. Em uma entrevista à NBC News em 2022, um porta-voz da CIA disse que é pouco provável que seja o resultado de uma campanha mundial de ataques por parte de uma potência estrangeira contra diplomatas e espiões dos EUA. Causas natuais são mais prováveis.

De qualquer forma, o mistério em torno da síndrome de Havana permanece. O estudo atual defende que, mesmo com as ausências de danos neurológicos, isso não quer dizer que eles não existam. Futuros estudos devem ajudar a ciência a montar o quebra-cabeças de uma vez por todas.

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Fonte: Journal of the American Medical Association, National Institutes of Health, NBC News