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Shuriken? Minúsculas estrelas perfuram a pele e facilitam aplicação de remédios

Por  • Editado por  Luciana Zaramela  | 

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Divulgação/Empa
Divulgação/Empa

Com três a oito pontas, a "estrela ninja", também conhecida como Shuriken, é uma arma de arremesso de origem japonesa bastante popular. Aparentemente inspirados por este design tradicional, pesquisadores suíços criam versões minúsculas dessas estrelas, com aproximadamente 0,8 mm, para perfurar a pele e facilitar a aplicação de medicamentos tópicos, como pomadas, cremes e loções.

Lógico, as minúsculas estrelas não têm a intenção de machucar seriamente os usuários. A ideia é que criem pequenas fissuras e arranhões superficiais na epiderme, a camada mais externa da pele, permitindo que as moléculas de um medicamento consigam entrar, de forma eficiente, no tecido. Com isso, a expectativa é aumentar os resultados de remédios de uso tópico, que nem sempre são tão bons quanto uma injeção ou um comprimido. 

Nesse campo emergente de inovação na indústria farmacêutica, as minúsculas estrelas de três pontas competem por espaço contra os adesivos de microagulhas. Este outro método também é bastante explorado em pesquisas, mas apresenta algumas desvantagens. Os adesivos não podem ser aplicados em grandes áreas e, preferencialmente, devem ser fixados em regiões mais planas do corpo humano. 

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Cremes com minúsculas estrelas "afiadas"

Desenvolvida pelos pesquisadores dos Swiss Federal Laboratories for Materials Science and Technology (Empa), a nova tecnologia que remete à Shuriken ainda está em fase de testes e não tem prazo para ser incluída em pomadas para pacientes com psoríase, onde melhorar as chances de absorção do medicamento está diretamente conectado com uma maior resposta do organismo.

No entanto, todo o conceito por trás das estrelas de três pontas é bastante interessante. A proposta é que centenas ou mesmo milhares delas sejam acrescentados em géis, além do princípio ativo. 

Quando o paciente usar a loção e a espalhar, a ideia é que as microlesões possam permitir a absorção rápida das moléculas, de forma indolor, sem atingir as terminações nervosas da pele. Em seguida, o gel restante seria removido da superfície da pele.

"As estrelas 3D com pontas cônicas criam microferidas na pele que se fecham rapidamente por conta própria", reforça Michael Stuer, pesquisador suíço responsável pelo protótipo, em nota. "[Todo o processo] parece [com a experiência de] uma esfoliação de pele", acrescenta.

Desafios da pesquisa médica

Para construir essas "estrelas ninjas", os pesquisadores utilizam um material cerâmico feito com óxido de alumínio, também conhecido como alumina. Cada uma delas é feita individualmente, mas a equipe já desenvolve moldes de fundição para a produção em larga escala.

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No entanto, o principal entrave é a questão das estrelas não serem biodegradáveis. Embora o protótipo seja funcional em teoria, é preciso modificar a receita para que elas possam se desintegrar após o uso, o que deve facilitar e muito a adesão a essa nova estratégia de aplicação de remédios.

Fonte: Empa