Wuhan: sequências genéticas do coronavírus foram deletadas, diz cientista

Wuhan: sequências genéticas do coronavírus foram deletadas, diz cientista

Por Natalie Rosa | Editado por Luciana Zaramela | 24 de Junho de 2021 às 10h02
Wirestock/Freepik

A China está acusando o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH) de deletar da sua base de dados as sequências genéticas dos primeiros casos de COVID-19 do mundo. Segundo o instituto, de fato, os dados sobre as pessoas contaminadas foram apagados, mas isso teria sido feito a pedido de um cientista chinês.

A remoção aparece em um artigo de Jesse Bloom, virologista do Centro de Pesquisa do Câncer Fred Hutchinson, em Seattle, nos Estados Unidos. O documento ainda não foi revisado por pares, mas revela que entre os dados apagados (e recuperados via Google Cloud) estão sequências de amostras de vírus coletadas na cidade de Wuhan, onde a propagação do vírus começou, entre os meses de janeiro e fevereiro de 2020. O material pertencia a pacientes hospitalizados com a COVID-19, ou ainda com suspeita da doença.

Bloom diz que as sequências apagadas não alteram a compreensão atual em relação ao começo da pandemia, mas que traz dúvidas sobre a transparência da China sobre a investigação da origem do coronavírus. Porém, quanto mais informações obtidas dos primeiros indícios de infecção pelo vírus, maiores as chances de descobrir como o SARS-CoV-2 começou a atingir os humanos e a se espalhar rapidamente.

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Imagem: Reprodução/twenty20photos/envato

Por que deletadas?

De acordo com o NIH, o pedido do cientista chinês aconteceu em junho de 2020, sob a justificativa de que as sequências foram atualizadas e precisavam ser inseridas em um diferente banco de dados, que não chegou a ser especificado, para evitar confusões.

Os pesquisadores de Seattle conseguiram recuperar os arquivos apagados da Cloud, que revelam 13 sequências genéticas parciais de alguns dos primeiros casos da doença em Wuhan. Os arquivos não sugerem que o coronavírus tenha saído de um laboratório e nem foi originado de um evento natural, mas sim de que ele estava circulando ainda antes do primeiro grande surto em um mercado de frutos do mar.

Bloom explica que os dados sugerem que as sequências genéticas obtidas no mercado de frutos do mar de Wuhan não representam os vírus que circularam na cidade no final de dezembro de 2019 e no começo de janeiro de 2020. O cientista diz que seu estudo contou com diversas limitações, principalmente por não ter informações de data e locais de coleta das amostras, o que seria crucial para rastrear a origem do vírus.

Acesse o preprint de Bloom aqui.

Fonte: NYTWSJ, CNNLiveScience  

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