Rússia quer doar vacinas para OMS, mas ainda falta autorização emergencial

Rússia quer doar vacinas para OMS, mas ainda falta autorização emergencial

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 15 de Outubro de 2021 às 12h40
FabrikaPhoto/Envato Elements

Apenas 2,5% das pessoas em países de baixa renda receberam pelo menos uma dose de alguma vacina contra a covid-19, segundo dados da plataforma Our World in Data. Para modificar este cenário, a Rússia planeja doar até 300 milhões de doses da vacina Sputnik V para o consórcio COVAX Facility, liderado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, a fórmula desenvolvida por cientistas russos não pode ser aceita, já que falta a autorização de uso emergencial e não há nenhuma previsão oficial sobre quando pode sair.

Vale explicar que a iniciativa COVAX busca distribuir, de forma mais igualitária, os imunizantes contra o coronavírus SARS-CoV-2 pelo globo. Inúmeros países integram o consórcio, incluindo o Brasil. Para que alguma vacina seja entregue através do projeto, é preciso que tenha sido aprovada, pelo menos de forma emergencial, pela OMS.

Isso ainda não ocorreu com a Sputnik V. No entanto, outras fórmulas, como a da Pfizer/BioNTech e a CoronaVac, têm a licença. É esta aprovação que garante que a vacina é eficaz e segura para ser aplicada na população contra a covid-19.

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Rússia planeja doação de 300 milhões de doses da vacina Sputnik V contra a covid-19 (Imagem: Reprodução/Rthanuthattaphong/Envato Elements)

Entenda a questão

Hoje, a vacina Sputnik V é autorizada para uso em cerca de 70 países ao redor do mundo. No entanto, a aprovação ainda não foi concedida por alguns países, como o Brasil, e nem pela OMS. No caso brasileiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) chegou a aprovar a importação excepcional da fórmula contra a covid-19, mas condicionou o uso a uma série de questões, como análise dos frascos. As limitações de segurança terminaram por impedir o uso nacional do imunizante. 

Para o CEO do Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF), Kirill Dmitriev, a questão da COVAX Facility deve ser resolvida nos próximos dois meses. “Acreditamos que podemos fornecer cerca de 200 milhões de doses por ano, 200 a 300 milhões”, afirmou Dmitriev para a Associated Press. Para isso, o CEO lembra que “precisamos apenas da aprovação da OMS para trabalhar com a COVAX”.

No entanto, a OMS não concorda com a estimativa de previsão. Porta-voz da organização, a pesquisadora Mariangela Simão afirmou que o processo de aprovação da vacina Sputnik V está em espera e, uma vez resolvidos os trâmites legais, “reabriremos a avaliação, que inclui o envio dos dados do dossiê — que ainda está incompleto — e a retomada das inspeções nos locais [de fabricação] na Rússia”.

“O cronograma dependerá de quando realizarmos esses procedimentos legais e, então, poderemos avaliar, com o requerente e o fabricante, qual seria o próximo passo e quanto tempo levará”, completou Simão.

Fonte: ABC News e Our World in Data  

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