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Cientistas combinam vírus com antibióticos para deter superbactérias

Por| Editado por Luciana Zaramela | 17 de Setembro de 2021 às 20h30

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Arek Socha/Pixabay
Arek Socha/Pixabay

Com o uso inadequado de antibióticos, médicos e pesquisadores observam, de forma gradual, uma seleção natural das bactérias mais resistentes, fenômeno que permite o surgimento de superbactérias. É o caso da Mycobacterium abscessus —  parente da bactéria que causa tuberculose e lepra —, conhecida por causar danos graves aos pulmões e oferecer resistência contra a maioria dos medicamente convencionais. Para conter esse agente infeccioso, uma equipe de cientistas testa um novo tratamento: a combinação de vírus com antibióticos.

Vale lembrar que as bactérias são vulneráveis ​​a determinados vírus, chamados bacteriófagos, que parasitam os micro-organismos para se replicarem. Agora, os cientistas da Universidade de Montpellier, na França, e da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, buscam formas seguras de usar um bacteriófago e um antibiótico contra a superbactéria. Por enquanto, estudos foram feitos em peixes. 

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Estudo contra superbactérias

No laboratório, os pesquisadores descobriram, em primeiro lugar, que um bacteriófago, apelidado de Muddy, era bastante eficaz para destruir bactérias, pelo menos dentro de uma placa de Petri. A partir dessa descoberta, os autores do estudo começaram a planejar os testes in vivo da técnica.

Publicado na revista científica Disease Models & Mechanisms, o estudo revelou bons resultados ao analisar peixes infectados com a superbactéria e tratados com a combinação. O modelo animal do experimento foi o zebrafish, também conhecido como peixe paulistinha. A espécie é muito comum em aquários e, na ciência, já foi usada em inúmeros experimentos, como pesquisas sobre a covid-19

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Os peixes escolhidos para o experimento carregavam uma mutação genética chave que causa a fibrose cística em humanos e imita a forma como o sistema imunológico humano responde a infecções bacterianas. 

Inicialmente, os cientistas apenas infectaram o animal com a bactéria Mycobacterium abscessus e analisaram como o organismo reagia contra este agente invasor. Acompanhando as cobaias por 12 dias, eles descobriram que os peixes desenvolveram infecções graves com abcessos —  cistos de pus e outras substâncias. A taxa de mortalidade foi bastante alta e apenas 20% sobreviveram. 

Analisando os efeitos do tratamento

Após o primeiro momento de testes, a equipe de pesquisadores testou três diferentes cenários: o tratamento dos peixes apenas com o vírus; o tratamento dos peixes apenas com o antibiótico; e uma terapia combinada com as duas ferramentas.

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Quando tratados com o vírus Muddy, os peixes conseguiram se recuperar em um período de 5 dias. Desta vez, os animais tiveram infecções menos graves e chances de sobrevivência aumentaram (40%). Além disso, tiveram menos abscessos. Somente com o tratamento do antibiótico, os cientistas observaram que os resultados se equiparavam na resposta positiva.

Por fim, os pesquisadores trataram os peixes infectados, durante 5 dias, com o antibiótico e o bacteriófago. No tratamento combinado, as infecções dos peixes foram muito menos graves e a taxa de sobrevivência chegou a 70%. Os animais também sofreram muito menos abcessos. 

Segundo os autores, esta é uma descoberta excelente. Agora, nas próximas etapas do estudo, o tratamento que mescla vírus com antibióticos deve ser verificado em humanos. Para acessar o estudo completo, clique aqui.

Fonte: EurekaAlert!