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Reino Unido recomenda transplante fecal para tratar bactéria resistente

Por| Editado por Luciana Zaramela | 31 de Agosto de 2022 às 18h58

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Twenty20photos/Envato
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Para controlar casos de infecções causadas pela bactéria resistente Clostridium difficile, as autoridades de saúde do Reino Unido começam a recomendar o transplante fecal como tratamento. Apesar do nome, o paciente que é submetido ao procedimento não recebe as fezes de um doador, mas, sim, as bactérias do "bem" presentes no cocô de quem doou a amostra.

A recomendação oficial do transplante de microbiota fecal foi anunciado pelo Instituto Nacional de Excelência em Saúde e Cuidados (Nice, na sigla em inglês) nesta semana. Só estão aptos a passarem pelo procedimento pacientes que tiveram dois ou mais quadros de diarreia provocados pela bactéria.

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Com a atual recomendação — que ainda é restrita para a população britânica —, o Nice espera realizar entre 450 e 500 transplantes fecais apenas na Inglaterra. A medida deve gerar economia no orçamento da saúde pública local, já que irá reduzir o uso de antibióticos.

Como é feito o transplante fecal?

Vale explicar que o transplante da microbiota fecal é feito através de diferentes procedimentos, como uma endoscopia. Isso significa que as bactérias são introduzidas no paciente pelo nariz ou pela boca. Também é possível que os médicos optem por uma colonoscopia (através do ânus) ou com pílulas preparadas em laboratório.

Existe o tratamento no Brasil?

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No Brasil, transplantes de bactérias presentes nas fezes são considerados um tratamento experimental, segundo apuração da rede BBC. Em outras palavras, somente são feitos quando outras opções já reconhecidas não geraram o resultado esperado.

Solução contra resistência de bactéria aos antibióticos

A Clostridioides difficile não é uma simples bactéria. Este agente infeccioso é considerado uma bactéria resistente — popularmente, é uma superbactéria — e tende a se manifestar após o uso excessivo ou incorreto de antibióticos por parte dos pacientes, o que permite a seleção de cepas que não respondem aos tratamentos convencionais.

"O uso deste tratamento [transplante fecal] também ajudará a reduzir a dependência de antibióticos", explica Mark Chapman, diretor de tecnologia médica do Nice, sobre a recomendação. "E isso, por sua vez, permite diminuir os riscos de resistência antimicrobiana", completa.

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Para além da C. difficile, a resistência antimicrobiana está entre as principais causas de morte no mundo, segundo a Pesquisa Global sobre Resistência Antimicrobiana (Gram). Pelo menos 1,2 milhão de pessoas morreram, oficialmente, em 2019 como resultado direto dessas infecções. Com a pandemia da covid-19, estes números podem estar ainda mais elevados.

Fonte: BBC