Quem já sofreu um AVC tem mais chances de ter um infarto, sugere novo estudo

Quem já sofreu um AVC tem mais chances de ter um infarto, sugere novo estudo

Por Natalie Rosa | Editado por Luciana Zaramela | 04 de Outubro de 2021 às 09h50
Reprodução: Freepik

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-SUP) descobriram, em testes com 120 pacientes, que pessoas que já tiveram um AVC têm mais chances de desenvolver doenças vasculares, além de ter mais episódios de acidente vascular cerebral ou infarto do miocárdio.

Nos testes, os cientistas analisaram o parâmetro escore de cálcio em 80 pacientes que tiveram um AVC isquêmico, além de outros 40 voluntários que nunca sofreram com a doença. O escore de cálcio é avaliado através de exames de tomografia, indicando os riscos de o indivíduo ter gordura depositada nas artérias do coração, o que é chamado de aterosclerose.

Então, pacientes que apresentam um escore maior que zero são os que correm mais riscos de ter doenças nas artérias, ainda que não apresentem sintomas. Ana Luiza Vieira de Araújo, principal autora do estudo, explica que, entre os pacientes que tiveram AVC, 85% tiveram escore de cálcio acima de zero, enquanto pacientes que nunca tiveram AVC apresentaram escore de 57,5%.

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Imagem: Reprodução/Jesse Orrico/ Unsplash

"Pacientes com AVC e placas de aterosclerose em artérias cervicais e intracranianas tiveram os escores de cálcio mais altos que os demais participantes da pesquisa", diz Araújo. "Isso não quer dizer que essas pessoas terão necessariamente um infarto ou outro AVC, mas o fato de terem esse resultado mesmo já fazendo tratamento para evitar o problema acende um alerta", completa.

Segundo Adriana Bastos Conforto, coordenadora do estudo, pessoas que fazem tratamento pós-AVC precisam acompanhar o caso com muito mais atenção para evitar um novo AVC ou um episódio de infarto. "Pacientes que tiveram AVC muitas vezes apresentam sequelas cognitivas e têm dificuldade de aderir ao tratamento. Os resultados sugerem que eles precisariam ser acompanhados mais de perto, por exemplo, pelos profissionais do Programa de Saúde da Família do SUS. Essa e outras estratégias poderiam evitar que morressem de problemas cardíacos mesmo tendo sobrevivido ao AVC", diz a especialista.

O estudo completo está disponível na revista científica Fortune Journals.

Fonte: Agência FAPESP

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