Quando a Fiocruz vai começar a produção da vacina contra COVID-19?

Por Fidel Forato | 19 de Janeiro de 2021 às 17h40
Leonardo Oliveira/ Fiocruz Imagens

No último domingo (17), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso emergencial da vacina de Oxford contra a COVID-19, que será importada da Índia, em data ainda a confirmar. Além desses doses do imunizante contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2), outro acordo brasileiro prevê a produção nacional, em larga escala, desta fórmula. Caso o cronograma oficial seja seguido, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) deverá começar a produção ainda em janeiro. No entanto, as primeiras entregas estão previstas para março.

Vale lembrar que o Ministério da Saúde firmou um acordo com a farmacêutica AstraZeneca e com a Universidade de Oxford, no Reino Unido, para a produção nacional das vacinas contra a COVID-19. Dessa forma, a Fiocruz —  responsável pelo estudo clínico de Fase 3 do imunizante no Brasil — poderá produzir a vacina por aqui. Inicialmente, dependerá da importação do princípio ativo da vacina e, depois, manterá a produção 100% nacional, ganhando autonomia das importações.

Com importação de matéria-prima, Fiocruz deve iniciar a produção nacional da vacina de Oxford (Imagem: Reprodução/ Raquel Portugal/ Fiocruz Imagens)

O que falta para a Fiocruz produzir as vacinas?

Até o momento, a Fiocruz aguarda a chegada do ingrediente farmacêutico ativo (IFA), de responsabilidade da farmacêutica AstraZeneca, para iniciar a produção em Manguinhos, no Rio de Janeiro. Este insumo chegará da Ásia, mais especificamente da China, mas não há uma data confirmada oficial. No entanto, a expectativa da fundação é que a entrega seja feita ainda em janeiro. Anteriormente, o prazo era dezembro.

Após o recebimento da matéria-prima da vacina de Oxford, a Fiocruz iniciará o processamento do imunizante. Nesse processo, o primeiro passo será a formulação, ou seja, os profissionais responsáveis devem adicionar, ao concentrado vacinal, os componentes que vão estabilizar a vacina e diluir a concentração do vírus —  no caso, um adenovírus que é responsável pelo resfriado comum e que foi editado geneticamente, em laboratório. 

Em seguida, a fórmula de Oxford será envasada. Em outras palavras, o imunizante será transportado dos grandes tanques de aço inox para pequenos frascos de vidro. São esses frascos que serão, mais tarde, enviados para os postos de saúde. Depois, esses frascos serão fechados com uma rolha de borracha e serão lacrados.

Produção de vacinas pela Fiocruz depende de importação de matéria-prima (Imagem: Reprodução/ Eyeeyeview/ Rawpixel)

Por último, acontecerá a rotulagem e embalagem dos frascos, ou seja, cada um deles receberá um rótulo com a identificação da vacina, número de lote, data de fabricação e validade, além de outras informações importantes para o controle de distribuição. Essa etapa é fundamental para que não haja eventuais desvios das doses da fórmula contra a COVID-19. Em paralelo, algumas amostras de cada lote passarão por um rígido controle de qualidade, onde serão submetidas a testes de potência, estabilidade e esterilidade.

Milhões de doses da vacina de Oxford no BR

Em um segundo momento, como o acordo brasileiro com a AstraZeneca prevê a transferência de tecnologia, a Fiocruz produzirá a matéria-prima nacionalmente, também. Essa produção nacional está prevista para começar em abril deste ano, segundo afirmou o infectologista e pesquisador Julio Croda, em entrevista para a CNN, na segunda-feira (18). "O planejamento da Fiocruz é que se inicie a produção local da matéria-prima [das vacinas] a partir de abril. Será um momento bastante importante, porque a maioria das doses que foram contratadas pelo Ministério da Saúde são da Fiocruz", explicou Croda. 

Até julho, a expectativa da Fiocruz é entregar 100 milhões de doses. Outras 110 milhões de doses poderão ser entregues até o final deste ano e devem ser alcançadas a partir da produção nacional da matéria-prima. "Num período de três meses, vamos liberar as doses produzidas em abril. E daí, ficamos muito mais seguros com esse quantitativo. Temos uma expectativa de mais 110 milhões de doses no segundo semestre. Esse é o cronograma que temos e estamos trabalhando desde o início do projeto", explicou Marco Aurélio Krieger, vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz. No entanto, todas as essas previsões podem ser alteradas, caso não ocorra a entrega dos insumos importados.   

Fonte: Com informações: G1CNN e Uol   

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