Psicopatas têm função cerebral reduzida na hora de tentar demonstrar empatia

Por Natalie Rosa | 25 de Fevereiro de 2021 às 18h30
Reprodução: Rawpixel

Graças à indústria do cinema e da televisão, nós nos familiarizamos com a existência de pessoas psicopatas, normalmente retratadas como grandes vilões. Pessoas que sofrem desse transtorno, de fato, possuem características e comportamentos antissociais, se tornando incapazes de sentirem empatia pelos outros, muito menos remorso por algo que fizeram.

Para tentar entender melhor o funcionamento do cérebro de uma pessoa diagnosticada com a psicopatia, o que vem sendo um grande mistério por ser bastante difícil fazer essa compreensão, pesquisadores conduziram uma pesquisa que, felizmente, trouxe respostas significativas. De acordo com o estudo, agora temos a primeira evidência de que psicopatas ficam com a função cerebral reduzida na tentativa de se empatizar com alguém.

Imagem: Reprodução/pressfoto/Freepik

A pesquisa, publicada na revista científica NeuroImage, mostrou que pessoas com psicopatia sentiam dificuldade em finalizar tarefas relacionadas a tomar conta da perspectiva de outra pessoa, com os exames dando destaque às áreas do cérebro relacionadas ao sentimento que apresentavam pouca atividade. 

Metodologia do estudo

Os pesquisadores realizaram o estudo com 94 pessoas, todos homens, adultos e presos por terem cometido crimes, com o objetivo de prever suas emoções durante interações sociais, julgando assim suas capacidades de sentir empatia. Os participantes do estudo precisaram observar imagens de duas pessoas em interações específicas, como um consolando o outro, e uma das pessoas tinha o rosto substituído por uma forma. Então, eles precisaram escolher uma expressão facial que eles acreditavam que estava no rosto escondido.

Os presos ainda foram entrevistados e testados para a psicopatia, comparando os resultados com imagens de dados de ressonância magnética funcional (fMRI) para conferir diferenças entre psicopatas e pessoas sem o transtorno. Os cientistas, então, observaram que as pessoas que pontuaram alto para a psicopatia foram as mesmas que apresentaram um desempenho pior na hora de identificar as emoções sentidas nas cenas.

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Esses participantes evitaram citar, principalmente, sentimentos de medo, tristeza e felicidade, e quando as tentativas de identificação aconteciam, as atividades cerebrais eram reduzidas em diversas regiões relacionadas à empatia. Sendo assim, os pesquisadores sugerem que existe alguma disfunção biológica que impede pessoas com psicopatia a compreenderem as emoções.

A pesquisa, no entanto, conta com suas limitações, de acordo com os autores. Mesmo apresentando um desempenho ruim nas tarefas de identificar felicidade e tristeza, a atividade cerebral dos psicopatas não foi menor que a dos outros participantes. Segundo os responsáveis pelo estudo, essa descoberta pode estar relacionada com a forma na qual foi feita a medição da atividade cerebral, tendo um menor precisão em algumas das emoções.

Ainda assim, os resultados trazem mais evidências de que pessoas com psicopatia se esforçam para ter o sentimento de entender a perspectiva de outras pessoas. Eles também não conseguem sentir medo, fato que também pode explicar a capacidade dessas pessoas se tornarem grandes líderes.

Fonte: IFLScience

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