Novo estudo relaciona 'trollagem' com sadismo, narcisismo e psicopatia

Por Redação | 17.02.2014 às 17:01

Eles estão em toda parte. Dos submundos mais obscuros da Internet, eles surgem para invadir caixas de comentários em portais de notícias, blogs ou comentários em redes sociais. Não há tempo ruim ou, aparentemente, regras de conduta moral, etiqueta ou senso de humanidade para os “trolls”: se a notícia é sobre um atropelamento de uma idosa, sobre uma campanha para arrecadar fundos para o tratamento de uma criança com câncer ou os desdobramentos do julgamento do mensalão, eles estarão lá para tecer comentários agressivos, apelando para a ofensas pessoais dos personagens envolvidos ou mesmo soltando um irritante “kkkkk”.

Há uma unanimidade a respeito dos trolls: qualquer um que não seja um deles, não os suporta. Mas, até então, havia certo senso comum de que ao menos a maioria deles tinha tal comportamento negativo na Internet apenas porque tentava se divertir – ainda que fosse com a tragédia alheia. Mas de acordo com reportagem do The Verge, um novo estudo, feito por cientistas da Universidade de Manitoba, no Canadá, mostra o lado verdadeiro dos trolls, o qual muitos preferiam não acreditar.

De acordo com a pesquisa, coordenada pelo cientista Erin Buckels, os internautas com comportamento troll possuem características fortemente ligadas a traços de personalidade que formam o que alguns psicólogos chamam de “dark tetrad” (ou algo como “tétrade obscura”): sadismo (prazer no sofrimento dos outros), narcisismo (egoísmo e auto-obsessão), psicopatia (a falta de remorso e empatia) e maquiavelismo (disposição para manipular e enganar os outros) são alguns dos elementos que, combinados, formam as principais características de comportamento dos trolls.

O estudo classificou os internautas ouvidos na pesquisa em uma variedade de formas. Uma delas partiu de perguntas simples sobre o que “mais gostava de fazer” quando estavam em sites com comentários abertos, oferecendo cinco opções de respostas: “As questões de debate são importantes para você”, “bate-papo com os outros”, “fazer novos amigos”, “trollar os outros” e “outros”. De acordo com reportagem do Slate.com, apenas 5,6% dos internautas entrevistados na pesquisa reconheceram a si mesmos como trolls, escolhendo a penúltima opção. No entanto, todos os que assim admitiram demonstraram forte relação com o sadismo, em particular.

Os pesquisadores realizaram vários estudos com os dados coletados para tentar entender os motivos pelos quais o comportamento troll atrai esse tipo de personalidade. Os cientistas chegaram a criar um método próprio de avaliação, chamado Avaliação Global da Trollagem na Internet, em que os hábitos nocivos foram divididos em hábitos comuns desses internautas. Ao longo da pesquisa, os cientistas também constataram que, quanto mais tempo uma pessoa passa comentando na Internet a cada dia, mais provável é que ela possua os tais traços negativos. “Trolls e sádicos sentem alegria no sofrimento dos outros”, escrevem os autores do estudo.