Primeiros sintomas da COVID podem mudar conforme a idade, diz estudo britânico

Primeiros sintomas da COVID podem mudar conforme a idade, diz estudo britânico

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 30 de Agosto de 2021 às 17h18
wayhomestudio/Freepik

É inegável que o coronavírus SARS-CoV-2 afeta as pessoas de maneiras diferentes. Por exemplo, um casal pode ter duas experiências completamente distintas com a mesma doença. Nesse sentido, um pode passar como assintomático pela COVID-19, enquanto o outro poderá ser hospitalizado. Agora, uma equipe de pesquisadores britânicos observou que até os primeiros sintomas da infecção podem variar, principalmente pela idade.

Publicado na revista científica The Lancet e liderado por pesquisadores do King's College London, o estudo descobriu que as diferenças nos primeiros sintomas da COVID-19 são mais notáveis ​​entre as faixas etárias mais jovens (16 a 59 anos) em comparação com as faixas etárias mais velhas (60 a 80 anos ou mais).

Febre pode não ser considerada um dos primeiros sintomas da COVID-19, segundo pesquisa (Imagem: Reprodução/Polina Tankilevitch/Pexels)

Para chegar a essa conclusão, o grupo de pesquisadores analisou dados do ZOE COVID Study, coletados entre abril e outubro de 2020, quando a variante Alfa (B.1.1.7) ainda era predominante no Reino Unido. O ZOE COVID é também um aplicativo para smartphones e que pode ser usado pela população britânica para relatar casos e sintomas suspeitos do coronavírus. Como está conectado com o serviço público de saúde do país, os usuários são orientados a fazer o exame da COVID-19, conforme relatam sintomas que se enquadram com a doença.

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Dessa forma, os pesquisadores analisaram, no total, relatos de 182.991 pessoas com a COVID-19 e, posteriormente, validaram as descobertas em uma amostra independente de 15.049 indivíduos.

Quais sintomas da COVID são mais comuns para cada grupo?

Para começar o estudo, os pesquisadores analisaram 18 sintomas que tiveram relevância diferente para a detecção precoce da COVID-19 em diferentes grupos etários. De forma geral, os sintomas mais importantes para a detecção precoce incluíram: perda do olfato; dor no peito; tosse persistente; dor abdominal; bolhas nos pés; dor nos olhos; e dores musculares incomuns.

"Descobrimos que a perda do olfato, um sintoma amplamente utilizado para detectar COVID-19, começa a perder relevância para pessoas com mais de 60 anos", afirmam os autores no artigo. Agora, para aqueles que têm 80 anos ou mais, alterações no olfato foram completamente irrelevantes para o diagnóstico precoce da doença. Por outro lado, os idosos apresentavam diarreia com maior incidência para a infecção.

Embora seja um sintoma bastante conhecido de doença, a febre não deve ser considerada como uma característica inicial da doença em qualquer faixa etária. Além disso, não foi possível observar mudanças significativas nos primeiros sintomas da COVID-19 entre homens e mulheres. "Não encontramos nenhuma diferença nos primeiros sinais de infecção entre os sexos", afirmam os autores.

"Como parte de nosso estudo, pudemos identificar que o perfil dos sintomas devido à COVID-19 difere de um grupo para outro. Isso sugere que os critérios a encorajar as pessoas a serem testadas devem ser personalizadas com base nas informações individuais, como idade. Alternativamente, um conjunto maior de sintomas pode ser considerado, de forma que as diferentes manifestações da doença nos diferentes grupos sejam levadas em consideração”, explica Marc Modat, um dos cientistas do estudo e professor do King's College London.

Para acessar o estudo completo sobre os diferentes sintomas da COVID-19, clique aqui.

Fonte: KCL      

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