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Potencial remédio para esclerose múltipla pode reparar nervos lesionados

Por| Editado por Luciana Zaramela | 11 de Dezembro de 2023 às 12h53

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Pingingz/Envato
Pingingz/Envato

No Canadá, pesquisadores do Centre for Addiction and Mental Health (CAMH) desenvolvem um novo medicamento para tratar a esclerose múltipla (EM) e até reverter alguns de seus desdobramentos, como a lesão aos nervos. O potencial remédio é testado em camundongos, onde demonstra ser bastante promissor.

O medicamento em desenvolvimento é um antagonista do receptor de glutamato NMDA e, diferente das outras terapias disponíveis no mercado hoje, não busca reduzir diretamente a inflamação no sistema imunológico — uma das causas da esclerose múltipla.

O que é esclerose múltipla?

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Aqui, vale mencionar que a esclerose múltipla é uma doença autoimune, ainda sem cura conhecida. Entre os sintomas mais comuns, a pessoa pode perder a visão, ter fraqueza muscular e desenvolver outros problemas de cognição e coordenação. Ainda não se sabe o porquê, mas é duas vezes mais comum em mulheres.

A condição aumenta o nível de inflamação no corpo e desregula todo o sistema imunológico, fazendo com que as suas células ataquem estruturas saudáveis do organismo. A região mais afetada tende a ser a bainha de mielina, ou seja, a barreira protetora que se forma ao redor dos nervos do cérebro (neurônios) e da medula espinhal. Conforme ela é lesionada, mais intensos se tornam os sintomas.

Potencial remédio para EM

Em estudo publicado na revista Science Advances, os pesquisadores compartilham os primeiros resultados do tratamento envolvendo modelos animais. Nestes testes, foram usados três compostos sintetizados em laboratório, sendo que o mais promissor foi o ZCAN262.

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Em camundongos com EM, este composto reduziu a intensidade dos sintomas e auxiliou o processo de recuperação da bainha de mielina — isto não é observado nos tratamentos atuais. A resposta aparentemente está na capacidade do composto em impedir a excitotoxicidade.

Por excitotoxicidade, entende-se um processo no qual as células nervosas são danificadas e podem, gradualmente, ser “mortas” pela estimulação excessiva de neurotransmissores, como o glutamato. É algo recorrente em casos de esclerose múltipla.

“Nosso composto teve um efeito impressionante na recuperação da [bainha de] mielina e da função motora nos modelos de laboratório, e espero que esses efeitos se traduzam na clínica para serem adicionados aos tratamentos atuais e trazerem uma nova esperança aos pacientes com esclerose múltipla”, afirma Fang Liu, uma das cientistas responsáveis pela pesquisa, em nota.

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Agora, é necessário realizar mais alguns testes em animais, mas, no futuro, as pesquisas com humanos devem ser iniciadas. Por enquanto, o entendimento é que "esta classe de terapêuticos para EM pode ser útil como tratamento alternativo ou complementar às terapias existentes", afirmam os autores.

Outras estratégias também são avaliadas para aumentar a eficácia dos tratamentos de esclerose, como o uso de proteínas específicas ou mesmo de antialérgicos. Neste último caso, a pesquisa é ainda mais interessante, porque usa um medicamento que já é reconhecido como seguro e pode ser mais facilmente avaliado.

Fonte: Science Advances e CAMH