"Potência" do sistema imune oscila de acordo com o horário; entenda

"Potência" do sistema imune oscila de acordo com o horário; entenda

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 11 de Novembro de 2021 às 12h40
SplitShire/Pixabay

Através do ritmo circadiano, o organismo humano se adapta ao período mais claro do dia e ao mais escuro (noite). Isso permite que o corpo funcione de forma sincronizada com o ambiente. Agora, um grupo de pesquisadores observou que o comportamento do sistema imunológico também é afetado pelas mudanças do dia. Enquanto amanhece, células do sistema imune migram de posição.

Publicado na revista científica Nature Immunology, o estudo demonstrou que a ativação do sistema imunológico é modulada conforme a hora do dia, mas ainda é cedo para estabelecer possíveis impactos diretos na saúde. A pesquisa foi desenvolvida por cientistas da Universidade de Genebra (UNIGE), na Suíça, e da Ludwigs-Maximilians University (LMU), na Alemanha.

Tipo de glóbulo branco migra durante o dia e combina com o ritmo circadiano (Imagem: Reprodução/Claudioventrella/Envato)

Por enquanto, sabe-se que as células imunes da pele — o único tecido humano avaliado na pesquisa — migram para os nódulos linfáticos e este movimento oscila ao longo do dia. Inclusive, a função imunológica é mais alta na fase de repouso, logo antes do reinício das atividades. No caso dos camundongos, isso ocorre no período da tarde, já que são animais noturnos. Em humanos, o melhor período é a parte da manhã.

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Entenda o estudo sobre as variações do sistema imunológico

Para entender o papel do ritmo circadiano na ativação imune, os cientistas analisaram a migração das células dendríticas (DC) — um tipo de glóbulo branco — para o sistema linfático. Localizadas em muitos órgãos periféricos, como a pele, as células dendríticas migram através dos vasos linfáticos para os linfonodos, onde é possível encontrar possíveis invasores, como vírus e bactérias. Isso porque os linfonodos agem como um filtro de substâncias nocivas e, dentro deles, as células de defesa atacam estas substâncias.

Durante o estudo, os cientistas começaram por observar as migrações das células dendríticas em roedores por quatro vezes ao dia. “Para que a migração celular ocorra corretamente, não só as células dendríticas, mas também as células dos vasos linfáticos devem responder a um ritmo circadiano”, explica Stephan Holtkamp, ​pesquisador do Centro Biomédico da Universidade Ludwig-Maximilian e um dos autores do estudo.

Estudo descobre que o sistema imunológico trabalha de forma oscilatória (Imagem: Reprodução/Pressmaster/Envato)

Em seguida, a equipe de pesquisadores repetiu o experimento em células de pele humana. Estas foram retiradas de pacientes em diferentes períodos do dia. “Identificamos inúmeras moléculas, principalmente quimiocinas, que estão envolvidas no processo migratório e cuja expressão é regulada por relógios circadianos”, detalhou outro pesquisador do estudo, Christoph Scheiermann.

“As mesmas moléculas foram encontradas em células humanas e de camundongos com um ritmo invertido, correspondente aos hábitos de vida das duas espécies: noturno para roedores e diurno para humanos. Isso confirma que esse ritmo é regido pela atividade natural de acordo com a alternância do dia e da noite", completa Scheiermann.

Por que o sistema imune recebe diferentes estímulos ao longo do dia?

Até o momento, os pesquisadores ainda investigam o porquê de o sistema imune ser governado por um ritmo oscilatório, o que pode ser potencialmente prejudicial. Por outro lado, os autores lembram que o ritmo circadiano existe para economizar recursos energéticos dos animais. Nesse sentido, a oscilação pode ser uma estratégia do corpo estar alerta em momentos, teoricamente, de maior risco. No caso, seriam as primeiras horas do dia.

No entanto, o estudo não permite concluir que humanos ou roedores são mais vulneráveis ​​a patógenos durante o período da noite. Mais estudos precisaram aprofundar os desdobramentos dessa descoberta. Eventualmente, poderá ser descoberto o melhor horário para receber vacinas ou tratamentos específicos.

Para acessar o estudo, publicado na revista científica Nature Immunology, clique aqui.

Fonte: MedicalXpress  

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