Por que fazem estudos sobre alzheimer em ratos se eles não podem ter a doença?

Por que fazem estudos sobre alzheimer em ratos se eles não podem ter a doença?

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 28 de Outubro de 2021 às 15h40
twenty20photos/Envato

Muitos estudos científicos são feitos com ratos em laboratório. É o caso das pesquisas envolvendo alzheimer, por exemplo. No entanto, teoricamente, isso não faz sentido, considerando que os ratos simplesmente não podem pegar e nem desenvolver naturalmente a doença. Mas por que, mesmo assim, os especialistas insistem em colocar em prática seus projetos nesses animais?

Os animais nem sempre são o substituto ideal ao estudar potenciais tratamentos para doenças que representam as maiores ameaças à saúde humana. Em alguns casos, modelos de animais podem, de fato, representar um impedimento para pesquisas cruciais.

Os ratos são utilizados nas pesquisas porque se reproduzem e amadurecem rapidamente, possuem todos os tecidos complexos importantes de um corpo humano e são passíveis de modificação e manipulação genética. Tudo isso seria de grande utilidade para a pesquisa de alzheimer, não fosse o fato de que ratos não contraem a doença. Inclusive, os cientistas não encontraram evidências de que outras espécies além de humanos, gatos e golfinhos possam desenvolvê-la naturalmente.

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Mas os pesquisadores encontraram maneiras de fazer com que os ratos desenvolvessem algumas formas de alzheimer, seja por meio de alteração genética, mutações ou até mesmo “humanização” dos próprios ratos. Nesse último caso, os cientistas forçam os animais a produzir formas humanas das proteínas envolvidas no alzheimer com o objetivo de criar uma espécie de modelo animal híbrido de degeneração neural. Apesar dos avanços na compreensão da progressão da doença, ainda há uma longa caminhada pela frente.

(Imagem: Pressmaster/Envato)

Frente a isso, algumas empresas se dedicam em tempo integral à produção de células puras e específicas de tecido para pesquisa biológica e desenvolvimento farmacêutico. No entanto, alguns desafios fundamentais permanecem: descobrir o código genético exato necessário para fazer todas as diferentes células que serão necessárias para um futuro de desenvolvimento de drogas com base em tecidos humanos modificados e desenvolver a tecnologia para projetar e executar esses códigos via DNA para reprogramar no tipo de célula certo.

Em algum momento no futuro, os testes de drogas podem ser realizados inteiramente em células simuladas que são tão reais que podem prever com precisão se um medicamento será eficaz contra uma doença de interesse. Isso seria bom para a humanidade e ainda melhor para ratos de laboratório.

Fonte: Massive Science

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