Cientistas revertem perda de memória em ratos (e isso é ótimo para nós, humanos)

Cientistas revertem perda de memória em ratos (e isso é ótimo para nós, humanos)

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 05 de Agosto de 2021 às 18h20
Twenty20photos/Envato Elements

Para investigar os processos que levam a perda de memória relacionada à idade, pesquisadores do Reino Unido testaram uma nova terapia em ratos e obtiveram sucesso no experimento. No estudo, a equipe usou um vírus — com a técnica do vetor viral, a mesma usada por algumas vacinas contra a COVID-19 — para repor substâncias que estavam baixas no cérebro.

De acordo com o estudo publicado na revista científica Molecular Psychiatry, os pesquisadores da Universidade de Cambridge e da Universidade de Leeds conseguiram reverter a perda de memória relacionada à idade em ratos. Agora, a descoberta pode levar, no futuro, ao desenvolvimento de tratamentos para prevenir a perda de memória em pessoas à medida que envelhecem.

Pesquisa britânica busca formas de impedir a perda de memória relacionada à idade (Imagem: Reprodução/Raman Oza/Pixabay)

O que causa a perda da memória relacionada à idade?

Pesquisas anteriores já apontavam para a importância das redes perineuronais (PNNs) no bom funcionamento do cérebro. Isso porque as PNNs são importantes para a neuroplasticidade — a capacidade do cérebro aprender e se adaptar — e para que novas memórias sejam formadas.

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Visualmente, as PNNs são estruturas semelhantes a uma cartilagem e que circundam, principalmente, os neurônios inibitórios no cérebro. Elas costumam se formar quando um indivíduo tem, em média, cinco anos. No entanto, elas se desligam com o passar dos anos e, quando isso acontece, a capacidade de aprendizado diminui, tornando o cérebro menos plástico.

Segundo a equipe de pesquisadores britânicos, as PNNs contêm compostos conhecidos como sulfatos de condroitina e exercem diferentes funções. Por exemplo, o condroitina-6-sulfato consegue promover a neuroplasticidade, já o condroitina-4-sulfato inibe a neuroplasticidade. Conforme uma pessoa envelhece, os níveis desses compostos se alteram e, naturalmente, a plasticidade é reduzida. Em diferentes intensidades, dependendo da pessoa, ocorre o declínio da memória relacionado à idade.

Hackeando a memória dos ratos

A partir desses conhecimentos, o grupo de pesquisadores investigou se a manipulação das concentrações dos sulfatos de condroitina nas PNNs poderia restaurar a neuroplasticidade e aliviar os déficits de memória relacionados à idade.

Nova técnica melhorou a capacidade de memória de ratos mais velhos (Imagem: Reprodução/Sipa/Pixabay)

Para isso, o experimento analisou as reações em ratos com 20 meses, idade considerada avançada para a espécie. Dessa forma, estes animais foram "tratados" com um vírus capaz de reconstituir a quantidade de condroitina-6-sulfato nas PNNs. Em seguida, a capacidade intelectual das cobaias mais velhas foi comparada com a de roedores com apenas 6 meses. Os testes envolviam o reconhecimento de objetos já conhecidos pelos animais.

Segundo as análises, o tratamento experimental conseguiu restaurar a memória nos ratos mais velhos, a um nível semelhante ao observado nos ratos mais jovens. “Vimos resultados notáveis ​​quando tratamos camundongos envelhecidos com este tratamento. A memória e a capacidade de aprender foram restauradas a níveis que não teriam visto desde que eram muito mais jovens”, afirmou Jessica Kwok, pesquisadora da Universidade de Leeds.

Boa notícia para os humanos!

“O que é empolgante nisso é que, embora nosso estudo fosse apenas em camundongos, o mesmo mecanismo deve operar em humanos — as moléculas e estruturas no ser humano cérebro são iguais aos dos roedores. Isso sugere que pode ser possível evitar que os humanos desenvolvam perda de memória na velhice”, aposta James Fawcett, da Universidade de Cambridge, sobre a descoberta.

Agora, a equipe conta que já identificou um potencial medicamento, já licenciado para uso humano, que pode ser ingerido por via oral e que, tecnicamente, poderá inibir a perda de plasticidade. Em paralelo, os pesquisadores investigam como a descoberta pode aliviar a perda de memória em modelos animais que desenvolveram a doença de Alzheimer.

Para acessar o estudo completo sobre o experimento que demonstrou melhora na memória de roedores, clique aqui.

Fonte: Universidade de Cambridge  

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