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Pensar demais pode "doer" e causar desconforto

Por  • Editado por  Luciana Zaramela  |  • 

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Cottonbro Studio/Pexels
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Diferente do que poderíamos imaginar, o esforço mental está mais associado com sentimentos desagradáveis (como frustração, irritação, estresse ou aborrecimento) do que positivos, segundo estudo publicado na revista Psychological Bulletin. Neste cenário, pensar demais pode “doer”, já que causa desconforto.

“O esforço mental pareceu aversivo em diferentes tipos de tarefas (por exemplo, tarefas com e sem feedback), em diferentes tipos de populações (populações com educação universitária e populações sem educação universitária) e em diferentes continentes”, afirmam os pesquisadores da Universidade Radboud de Nimega (Países Baixos), em artigo. Outros estudos já apontaram para a mesma conclusão.

O curioso é que, embora pensar demais seja algo desconfortante, as pessoas buscam atividades que exigem ao máximo a mente, como uma partida de xadrez. Então, há também algo prazeroso nessa equação, especialmente quando o pensar envolve uma atividade de lazer (sem nenhuma obrigatoriedade) e quando há recompensas.

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Estudo sobre o impacto de pensar

Para chegar a essas conclusões, os cientistas realizaram uma meta-análise com 170 estudos já publicados, entre os anos de 2019 a 2020, sobre esforço mental. No total, as experiências de 4,6 mil pessoas foram consideradas para medir as emoções envolvidas durante a atividade de pensar.

Diferentes perfis de pessoas foram analisadas, como profissionais da saúde, militares, atletas amadores e estudantes universitários, englobando 29 países (e diferentes continentes).

Além disso, mais 350 tarefas cognitivas diferentes foram consideradas ao longo dos estudos anteriores, como aprender uma nova tecnologia, encontrar o caminho em um ambiente desconhecido ou ainda praticar um novo esporte.

Pensar demais causa desconforto?

“Nossas descobertas mostram que o esforço mental parece desagradável em uma ampla gama de populações e tarefas”, afirma Erik Bijleveld, autor sênior da pesquisa e cientista da Universidade Radboud de Nimega, em nota.

“Isso é importante para profissionais, como engenheiros e educadores, terem em mente ao projetar tarefas, ferramentas, interfaces, aplicativos, materiais ou instruções. Quando as pessoas são obrigadas a exercer um esforço mental substancial, você precisa ter certeza de apoiá-las ou recompensá-las por seu esforço”, acrescenta Bijleveld.

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Por que gostamos de xadrez?

Mesmo que pensar demais tenha um custo alto, as tarefas mentalmente desafiadoras conseguem também despertar o fascínio. Por causa disso, é comum as pessoas procurarem ativamente por esses desafios, como partidas de xadrez ou um novo game. 

“As pessoas podem aprender que exercer esforço mental em algumas atividades específicas provavelmente levará à recompensa”, explica Bijleveld. “Se os benefícios do xadrez superarem os custos, as pessoas podem escolher jogar xadrez e até mesmo relatar que gostam de xadrez”, complementa.

“No entanto, quando as pessoas escolhem buscar atividades mentalmente exigentes, isso não deve ser tomado como uma indicação de que elas gostam de esforço mental em si. Talvez, as pessoas escolham atividades mentalmente apesar do esforço, não por causa dele”, finaliza.

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Fonte: Psychological Bulletin, APA