Trepanação: a medicina antiga tratava problemas mentais com um furo no crânio

Trepanação: a medicina antiga tratava problemas mentais com um furo no crânio

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 13 de Novembro de 2021 às 19h00
Meta Zahren/Unsplash

A lobotomia choca as pessoas até hoje, já que é considerada um método polêmico de tratar determinados transtornos. Apesar de parecer um procedimento bem antigo, é relativamente novo, uma vez que surgiu apenas no século 20. O que a sociedade antiga fazia, então, para cuidar da saúde mental? Simples: um furo na cabeça! Mais conhecido como trepanação, o tratamento é ainda mais agressivo que a lobotomia. Na prática, a técnica era usada para aliviar a pressão no cérebro causada pelo sangue.

Os mais antigos crânios descobertos com evidências de trepanação são realmente antigos (6.000 aC) e surgiram do norte da África, Ucrânia e Portugal. No entanto, crânios com marcas de uma técnica de trepanação menos rudimentar também foram descobertos na República Tcheca, França e algumas regiões da América do Sul. Também há evidências que sugerem que a trepanação continuou a ocorrer em partes da Europa medieval, como a Espanha. Os especialistas estimam que o procedimento atingiu um alto nível de popularidade entre os séculos 14 e 16, na América do Sul.

As evidências apontam que os primeiros ancestrais podem ter praticado com crânios de animais ainda vivos, como uma intervenção veterinária. Acredita-se que a cirurgia era considerada a solução para vários tipos de doenças, e nos seres humanos, usada para tratar ferimentos cranianos, doenças mentais e epilepsia. Entretanto, arqueólogos sugerem que a trepanação poderia ter sido utilizada também para fins religiosos, como o exorcismo.

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Como era o método de trepanação

Ao longo do tempo, cinco métodos principais de trepanação foram descobertos. O primeiro envolvia cortes retangulares que se cruzavam, feitos com facas de pedra dura e mais tarde com facas de metal. O segundo método era a raspagem com uma pederneira, algo mais comumente encontrado na Itália, na Renascença. O terceiro método, usado até recentemente no Quênia, era cortar uma fissura circular e então retirar o disco de osso.

O quarto método consistia no uso de uma trefina (um instrumento cirúrgico com uma lâmina cilíndrica, tipo uma broca-copo), e pode ter se desenvolvido a partir do terceiro. Já o quinto método consistia em fazer um círculo de orifícios bem espaçados e então cortar o osso entre os orifícios. Esse método foi adotado pelos árabes, usado também no Peru e, até recentemente, no Norte da África.

Fonte: Discover Magazine, Medical News Today, The Reader

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