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O que é febre mayaro? Unicamp confirma vírus no Brasil

Por| Editado por Luciana Zaramela | 17 de Maio de 2024 às 08h17

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Parte da população questiona o que é febre mayaro, já que a Unicamp confirmou a circulação do vírus em humanos no Brasil (mais precisamente em Roraima). O patógeno tem como vetor o Haemagogus janthinomys, mosquito da febre amarela.

Os biólogos da Unicamp usaram técnicas como isolamento viral e sequenciamento de nova geração para identificar o vírus e descobriram uma linhagem de vírus mayaro (MAYV) de genótipo D.

Até então, não há registros de transmissão do vírus mayaro no Brasil pelo mosquito da dengue (Aedes aegypti), mas os pesquisadores da Unicamp mostraram em laboratório que ele é capaz de transmitir o vírus.

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No estudo, os pesquisadores detectaram a presença do vírus mayaro em 3,4% das pessoas testadas, sendo que algumas não costumam frequentar área de mata. Isso indica que o vírus pode circular em áreas urbanas.

O que é febre mayaro?

A febre mayaro é confundida com dengue e febre chikungunya, por apresentar sintomas semelhantes (dores no corpo, fadiga, inchaço). A doença não é contagiosa, ou seja: não há transmissão de pessoa a pessoa. É transmitida somente pela picada de mosquitos infectados com o vírus.

A febre mayaro é considerada uma zoonose silvestre de impossível eliminação. Depois de infectados, os mosquitos podem transmitir o vírus por toda a vida.

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Por enquanto, não existe terapia específica ou vacina para a febre mayaro. Os pacientes diagnosticados são orientados a permanecer em repouso.

Então o tratamento sintomático (com analgésicos ou anti-inflamatórios, apenas para aliviar os sintomas).

Sintomas da febre mayaro

A febre mayaro começa de forma súbita entre 39 e 40°C, e acompanha dor de cabeça, dor nas articulações, dor muscular, inchaço nas articulações, calafrios, dor atrás dos olhos, mal-estar, erupção cutânea, erupção avermelhada na pele, vômitos e diarreia.

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Existem alguns casos em que os pacientes relatam náusea, tosse, dor de garganta, dor abdominal, congestão nasal, coceira e até sangramento da gengiva.

De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 20% dos casos apresentam inchaço nos pulsos, dedos, tornozelos e dedos dos pés. A presença de erupção avermelhada na pele é mais comum em crianças e normalmente aparece no quinto dia da doença.

A Pasta relembra que o quadro clínico agudo pode persistir por uma a duas semanas.

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"Depois de identificar alguns desses sintomas, é preciso procurar atendimento médico na unidade de saúde mais próxima e informar sobre seu local de residência, trabalho, passeio ou qualquer viagem para áreas rurais, de mata ou silvestres, nos últimos 15 dias antes do início dos sintomas. Também é importante informar se foi observada a presença de macacos, sadios ou doentes no local visitado recentemente", orienta o Ministério.

Vírus mayaro no Brasil

No Brasil, a detecção de MAYV foi registrada em estados da região Norte, como Acre, Pará e Roraima. Também já se mostrou no Amazonas.

Segundo os pesquisadores da Unicamp, a incidência em Roraima — estado que faz fronteira com a Venezuela e a Guiana — serve de alerta. “É uma região impactada por migrações. A capital, Boa Vista, tem uma atividade comercial intensa. Pode afetar a dinâmica de circulação do vírus", afirma o professor José Luiz Módena, em comunicado divulgado pela Unicamp.

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De modo geral, o vírus mayaro é considerado endêmico na América Central e na América do Sul. O patógeno foi identificado pela primeira vez nas ilhas caribenhas de Trinidad e Tobago, na década de 1950.

Fonte: Unicamp, Ministério da Saúde