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O que é demência frontotemporal?

Por| Editado por Luciana Zaramela | 17 de Fevereiro de 2023 às 11h22

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iLexx/Envato
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Embora o nome não seja tão "popular" quanto doença de Alzheimer ou o Parkinson, a demência frontotemporal, também conhecida como doença de Pick, é forma de demência mais comum em pessoas com menos de 60 anos, segundo a Association for Frontotemporal Degeneration (AFTD). Agora, o diagnóstico do ator Bruce Willis, de 67 anos, deve ajudar na conscientização desse quadro, ainda pouco conhecido.

A demência frontotemporal pode afetar indivíduos de diferentes idades e há casos até de pessoas com 21 anos que desenvolveram o quadro neurodegenerativo. No entanto, a maioria dos diagnósticos ocorre em pacientes que têm entre 45 e 65 anos. De forma progressiva, estes indivíduos apresentam mudanças de comportamento e personalidade, além de perdas na capacidade de comunicação e movimento.

O que é demência frontotemporal?

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Como o próprio nome já indica, a degeneração frontotemporal se refere a um grupo de diferentes distúrbios causados ​​pela degeneração de partes específicas do cérebro, os lobos frontais (as áreas atrás da testa) ou os lobos temporais (as regiões acima das orelhas). Os neurônios dessa região vão morrendo progressivamente, enquanto comprometem a saúde do indivíduo.

No momento, a ciência entende que um terço de todos os casos deste tipo de demência é de origem hereditária. Independente dos fatores genéticos, o quadro se estabelece quando algumas proteínas, como tau, TDP-43 e FUS, formam espécies de placas no cérebro e começam a matar as células ativas do local.

Como é a evolução da doença?

No começo, o paciente com demência frontotemporal apresenta mudanças de personalidade atípicas, apatia e pode ter dificuldades inexplicáveis em tomar decisões ou até mesmo em falar (afasia). O indivíduo pode perder a capacidade de compreender e formular palavras para construir uma frase falada. Em outros casos, a fala se torna exitante, como se estivesse inseguro em dizer tal coisa.

Em paralelo, os pacientes começam a desenvolver fraqueza muscular e problemas de coordenação. Dependendo da evolução, eles precisam de cadeiras de rodas para locomoção ou ficam acamados durante o dia. Todo esse processo de evolução da doença (progressão) pode variar de dois a mais de 20 anos.

Em média, a expectativa de vida varia de 7 a 13 anos após o diagnóstico. Pela perda de capacidade de se expressar e das limitações dos movimentos, os principais riscos de óbitos nestes pacientes são:

  • Pneumonia;
  • Infecções, como as do trato urinário;
  • Lesões por queda.
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Existe tratamento contra este tipo de demência?

Infelizmente, a ciência ainda não descobriu a cura para nenhum tipo de demência, incluindo a frontotemporal. No entanto, isso não significa que o acompanhamento médico não seja importante. Com a ajuda de equipe multidisciplinar, o paciente pode ter uma melhor qualidade de vida. Neste processo, são prescritos remédios para reduzir a agitação, as dores, a irritabilidade ou ainda a depressão.

Por outro lado, cada vez mais os cientistas avançam na compreensão da doença e potenciais medicamentos são desenvolvidos. Segundo a AFTD, um dos campos mais promissores são os estudos que envolvem a terapia gênica, ou seja, a correção de genes associados com o quadro.

Demência frontotemporal é diferente do Alzheimer?

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Vale explicar que a demência frontotemporal se distingue do Alzheimer em dois principais pontos:

Sintomas: inicialmente, pessoas com a doença de Alzheimer não têm problemas na fala e conseguem entender quando alguém se comunica com elas. A principal questão envolve a memória, que não é tipicamente afetada na demência frontotemporal;

Idade: no caso da frontotemporal, a maioria dos diagnósticos é feita por volta dos 60 anos. No Alzheimer, o risco da doença se torna cada vez mais comum com o envelhecimento do paciente.

O caso de Bruce Willis

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Na quinta-feira (16), a família de Bruce Willis anunciou que o autor foi diagnosticado com a demência frontotemporal. Anteriormente, o astro hollywoodiano já tinha se aposentado dos sets de filmagens, após desenvolver afasia — um tipo de transtorno de linguagem.

"Infelizmente, a dificuldade de comunicação é apenas um dos sintomas da doença que Bruce enfrenta. Por mais que seja doloroso, é um alívio ter finalmente um diagnóstico claro", afirma a família, em comunicado. "Hoje, não há tratamentos para a doença, uma realidade que esperamos que possa mudar nos próximos anos", acrescenta.

"Bruce sempre acreditou em usar sua voz no mundo para ajudar os outros e aumentar a conscientização sobre questões importantes, tanto públicas quanto privadas", lembram os familiares. "Sabemos em nossos corações que — se ele pudesse hoje — ele gostaria de trazer atenção global [para a causa] e criar uma conexão com aqueles que também estão lidando com esta doença debilitante", completam.

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A declaração foi assinada por sua atual esposa, Emma Heming, pela ex-mulher Demi Moore e suas cinco filhas.

Fonte: Alzheimer's Association e AFTD (1) e (2)