Novo experimento leva cientistas a entenderem melhor a esquizofrenia

Novo experimento leva cientistas a entenderem melhor a esquizofrenia

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 22 de Abril de 2021 às 20h40
bialasiewicz/envato

Alucinações podem ocorrer como parte de uma condição complexa, como esquizofrenia, ou por causa de eventos isolados. Mas a ciência encara as alucinações como algo difícil de se estudar, em parte por causa da dificuldade de recriá-las e estudá-las em animais de laboratório. E foi com isso em mente que pesquisadores do Cold Spring Harbor Laboratory e da Washington University School of Medicine deram início a um estudo com a participação de camundongos.

O estudo aconteceu da seguinte maneira: a equipe primeiro treinou ratos para apertar um botão. Se os ratos pudessem ouvir um determinado som depois de pressionar o botão, eles recebiam uma recompensa. Os pesquisadores descobriram que cerca de 16% dos ratos apertavam o botão e "ouviam" o som, mesmo sem nenhum som sendo reproduzido. As alucinações aumentaram com a exposição dos roedores a determinadas drogas.

No entanto, o estudo também contou com a participação de pessoas, que foram submetidas a uma tarefa semelhante: pressionar uma tecla se ouvissem um som e relatar. Com base nisso, usando um modelo computacional capaz de fazer simulações, a equipe foi então capaz de investigar mais profundamente como exatamente essas alucinações acontecem.

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Os pesquisadores descobriram, basicamente, que as alucinações aconteciam quando as expectativas eram maiores do que as entradas sensoriais. Eles então confirmaram isso nos camundongos, mostrando que tanto a expectativa de uma recompensa quanto a expectativa de ouvir algo mudaram os níveis de dopamina em áreas-chave do cérebro.

No experimento sobre alucinações, camundongos e pessoas precisavam apertar um botão ao ouvir um som (Imagem: Paweł Czerwiński/Unsplash)

A nova abordagem para causar alucinações em camundongos pode abrir portas para uma melhor compreensão das alucinações em diferentes doenças, assim como desencadear inspiração para tratamentos voltados a alucinações auditivas, por exemplo.

"Usando medições do sensor de dopamina, o estudo mostrou uma ligação do circuito cerebral entre dopamina excessiva e experiências semelhantes a alucinações. Isso poderia ser potencialmente útil como um modelo de sintomas psicóticos comuns descritos em vários transtornos psiquiátricos. Também poderia ajudar no desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas baseadas na modulação anatomicamente seletiva da função da dopamina", escreveu o estudo, publicado na revista científica Science.

"Descobrimos que a percepção semelhante à alucinação é mediada por elevações de dopamina e que isso pode ser explicado pela codificação de diferentes tipos de expectativas em sub-regiões distintas do estriado [um dos núcleos de base do diencéfalo, no cérebro]. Nossos resultados também fornecem percepções o sobre a hipótese de psicose de longa data da dopamina e fornecem uma estrutura rigorosa para dissecar os mecanismos do circuito neural envolvido nas alucinações", concluiu o estudo.

Fonte: Science via Science Massive

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