Milhares de vacinas teriam sido aplicadas vencidas no BR; veja se foi seu caso

Milhares de vacinas teriam sido aplicadas vencidas no BR; veja se foi seu caso

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 02 de Julho de 2021 às 15h30
KamranAydinovStudio/Envato Elements

Na campanha nacional de imunização contra o coronavírus SARS-CoV-2, pelo menos 25.935 doses da vacina Covishield (AstraZeneca/Oxford) foram aplicadas em brasileiros quando estavam vencidas, segundo apuração do jornal Folha de S. Paulo. O cálculo foi feito a partir de registros do Ministério da Saúde e, de acordo com a denúncia, oito lotes importados do imunizante contra a COVID-19 foram usados fora do prazo.

Para chegar ao valor das mais de 25 mil doses aplicadas após o vencimento, foram cruzadas duas bases de dados da Saúde: o DataSUS (sistema de informações do Ministério da Saúde) e a Sage (Sala de Apoio à Gestão Estratégica). Além disso, o valor considera apenas as imunizações do país contra COVID-19 feitas até o dia 19 de junho.

Milhares de doses da vacina da AstraZeneca foram aplicadas vencidas no Brasil (Imagem: Reprodução/Ckstockphoto/Envato Elements)

Em paralelo, outras 114 mil doses da vacina da AstraZeneca/Oxford que foram distribuídas a estados e municípios dentro do prazo de validade já expiraram. No entanto, não se sabe se foram descartadas ou se continuam sendo aplicadas, mesmo após o vencimento.

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Quais lotes da vacina estavam vencidos?

Segundo a apuração, oito lotes do imunizante da AstraZeneca/Oxford foram utilizados após o vencimento. Estes lotes foram importados prontos, ou seja, não foram envasados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A seguir, confira a lista dos lotes com a respectiva data de validade e cheque no seu cartão:

  • Lote número 4120Z001 - Vencimento no dia 29 de março;
  • Lote número 4120Z004 - Vencimento no dia 13 de abril;
  • Lote número 4120Z005 - Vencimento no dia 14 de abril;
  • Lote número CTMAV501 - Vencimento no dia 30 de abril;
  • Lote número CTMAV505 - Vencimento no dia 31 de maio;
  • Lote número CTMAV506 - Vencimento no dia 31 de maio;
  • Lote número CTMAV520 - Vencimento no dia 31 de maio;
  • Lote número 4120Z025 - Vencimento no dia 4 de junho.

Quais foram as cidades que mais aplicaram vacinas vencidas, segundo o levantamento?

Pelo levantamento, a cidade brasileira que mais aplicou doses da vacina da AstraZeneca/Oxford vencidas foi Maringá (PR), somando 3.536 pessoas. Em seguida, estão: Belém (PA), com 2.673; São Paulo (SP), com 996; Nilópolis (RJ), com 852; e Salvador (BA), com 824.

No total, 1.532 municípios brasileiros aplicaram doses fora da validade. No entanto, as outras cidades aplicaram menos de 700 injeções fora do prazo, sendo que a maioria não passou de dez doses.

Em nota nas redes sociais, a prefeitura de Maringá informou que não adotou vacinas vencidas para imunizar a sua população. “O lançamento no Sistema Conect SUS está diferente do dia da aplicação da dose. Isso porque, no começo da vacinação, a transferência de dados demorava a chegar no Ministério da Saúde, levando até dois meses. Portanto, os lotes elencados são do início da vacinação e foram aplicados antes da data do vencimento. Concluindo, não houve vacinação de doses vencidas em Maringá e sim erro no sistema do SUS”, afirmou Marcelo Puzzi, secretário da Saúde da cidade.

De acordo com reportagem do Correio 24 Horas, a Secretaria Municipal da Saúde de Salvador (SMS) e a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) também negaram que tenham aplicado vacinas fora do prazo de validade. Sobre o desencontro dos dados oficiais, “a coordenação de imunização da SMS identificou episódios de equívocos relacionados ao lançamento de dados no sistema informatizado da estratégia, ou seja, a aplicação das doses foi realizada dentro do período determinado pelo fabricante do imunobiológico e apenas o registro no sistema do banco de dados do Ministério da Saúde foi efetuado em data posterior a aplicação da vacina”, informou a SMS.

Em nota, a prefeitura de Belo Horizonte também informou que faz um rigoroso acompanhamento dos processos de vacinação contra a COVID-19 e que ''não há, até o momento, aplicação de imunizantes vencidos na capital", segundo o jornal Estado de Minas. No caso da capital mineira, a denúncia informava que 167 doses teriam sido aplicadas fora do prazo de validade.

Recebeu um destes lotes? Veja o que fazer

Para saber com qual lote a pessoa foi imunizada, basta conferir a carteira individual de vacinação contra a COVID-19. Caso você verifique que recebeu uma dose de um dos lotes listados, a recomendação é que procure a unidade de saúde mais próxima, levando sua carteirinha. No local, é possível obter orientações específicas e o caso deve receber acompanhamento.

Segundo o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra COVID-19, a pessoa que recebeu um imunizante vencido deve receber uma nova injeção pelo menos 28 dias após a aplicação indevida, pois é considerado que a imunização não tenha surtido efeito.

"Indivíduos que venham a ser vacinados com doses de vacina vencidas deverão ser notificados como um erro de imunização no e-SUS Notifica e serem acompanhados com relação ao desenvolvimento de eventos adversos. A dose não deverá ser considerada válida, sendo recomendada a revacinação destes indivíduos com um intervalo de 28 dias da dose administrada", esclarece o documento da Saúde.

Afinal, vacina vencida pode fazer mal?

"Quando a vacina é aplicada fora do prazo de validade, é considerado um erro programático e a dose deve ser repetida", explicou Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), para o UOL.

A questão é que, quando a vacina é aplicada vencida, a pessoa supostamente imunizada não tem proteção contra o coronavírus. "Não é esperado nenhum outro tipo de reação além das relatadas para os tipos específicos de vacina. A dica é ficar de olho na validade, não só para os imunizantes, mas com qualquer outro produto consumido, como alimentos e remédios", completa Cunha.

Até o fechamento desta notícia, outras prefeituras também questionam e verificam os dados apresentados pela denúncia.

Fonte: Folha de S. Paulo, Correio, Estado de Minas, Uol e Ministério da Saúde   

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