Maioria dos contaminados no Brasil apresenta sintomas da COVID-19, diz pesquisa

Por Natalie Rosa | 14 de Agosto de 2020 às 18h20
Reprodução: Gundula Vogel/Pixabay

Segundo informações obtidas através do estudo EpiCovid, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a maior parte das pessoas contaminadas pelo coronavírus no Brasil apresenta sintomas da doença. A pesquisa, divulgada na última quarta-feira (12), está disponível para consulta, mas ainda não passou por revisão. 

Ela foi realizada com 31.869 pessoas de todas as regiões do Brasil, que fizeram o teste de anticorpos do SARS-CoV-2 entre os dias 21 e 24 de junho. Os participantes também precisaram responder se haviam sentido algum sintoma da COVID-19 nos últimos quatro meses.

O estudo concluiu que 849 dessas pessoas contavam com anticorpos da doença, mas somente 12% delas afirmaram não ter apresentado sintomas, assim como os 42% que não tiveram anticorpos detectados. Entre os sintomas analisados na pesquisa, os mais citados foram dor de cabeça, alteração do paladar ou do olfato, dor muscular, febre e tosse.

Reprodução: Congerdesign/Pixabay

"Cada um dos 11 sintomas investigados teve significativamente mais chances de ser relatado por aqueles que tiveram resultados positivos do que por aqueles com resultados negativos. Nós identificamos que, ao contrário do que é relatado com frequência, a maior parte das pessoas com anticorpos era sintomática", dizem os cientistas responsáveis pelo estudo.

Ainda segundo a pesquisa, mulheres relataram a presença mais frequente dos sintomas do que os homens, enquanto crianças foram as que menos se queixaram. As perguntas foram todas feitas antes do resultado dos testes para que não houvesse interferência nas respostas. Os cientistas responsáveis pela pesquisa afirmam que os resultados irão ajudar a implementar sistemas de vigilância no Brasil, tornando-se ainda mais fácil identificar casos de COVID-19 precoces e conduzir os testes. 

O estudo, no entanto, traz respostas diferentes de pesquisas anteriores, como uma análise realizada na China que apontou que 86% dos casos no país não foram detectados por não existirem sintomas. Em julho, também na China, outro relatório apontou que cerca de 87% dos casos de Wuhan existiram com sintomas leves ou nenhum, e por isso não foram detectados. A Organização Mundial de Saúde já esclareceu à população que casos assintomáticos também pode contaminar outras pessoas, o que possivelmente vai causando grande parte das infecções.

O estudo está disponível para consulta online.

Fonte: G1, Ministério da Saúde

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