Jovens e adultos podem não se recuperar totalmente da COVID-19 por até 3 semanas

Por Fidel Forato | 30 de Julho de 2020 às 16h45
Juraj Varga/Pixabay

Até o momento, a maioria das pesquisas sobre o novo coronavírus (SARS-CoV-2) tem se concentrado nos casos mais graves da COVID-19, principalmente quando o foco são possíveis tratamentos. Agora, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos alerta para casos prolongados da doença, entre jovens adultos sem condições médicas crônicas.

Mais de um terço dos entrevistados (35%) pela agência de saúde norte-americana afirmaram que a saúde ainda não tinha sido completamente reestabelecida, no intervalo de duas a três semanas após o teste positivo para a COVID-19. Isso significa que, mesmo de forma amena, a infecção continua a gerar efeitos nos pacientes com casos mais leves.

Pesquisa aponta que cerca de 35% dos pacientes da COVID-19 não se recuperaram, totalmente, em menos de duas semanas (Foto: Bruno Araujo/ Unsplash)

"Casos não hospitalizados da COVID-19 podem resultar em doença prolongada e sintomas persistentes, mesmo em adultos jovens e pessoas com nenhuma ou poucas condições médicas crônicas subjacentes", afirma o CDC.

A agência de saúde obteve esses resultados a partir de uma pesquisa com 292 pessoas que testaram positivo para a COVID-19 e com tratamento ambulatorial (sem hospitalização), entre os dias 15 de abril e 25 de junho. Para a verificação dos sintomas, esses pacientes foram entrevistados pelo menos 14 dias após o diagnóstico, conforme detalha o Relatório Semanal de Morbidade e Mortalidade do CDC.

Conheça os sintomas

Dos pacientes da COVID entrevistados, 94% afirmaram ter pelo menos um dos sintomas da doença na hora em que fizeram o teste. Em média, as pessoas relataram ter pelo menos sete dos 17 sintomas listados pelo CDC para as infeções do novo coronavírus. Entre todos, a fadiga foi a queixa mais comum, seguida de tosse e dor de cabeça.

Além desses sintomas, a agência também considera: febre ou calafrios; falta de ar ou dificuldade em respirar; dores musculares ou corporais; nova perda de paladar ou olfato; dor de garganta; congestão ou coriza; náusea ou vômito; e diarreia.

Para o grupo de pacientes que relataram sintomas por um período mias prolongado, 43% deles apontaram para a persistência da tosse. Já 35% relataram cansaço ​​e 29% disseram sofrer com falta de ar. De forma geral, o tempo médio em que essas pessoas foram entrevistados foi de 16 dias a partir da confirmação do diagnóstico, via exame clínico.

Na pesquisa, os sintomas com menor probabilidade de resolução em um intervalo menor do que duas semanas incluíram a tosse (não resolvida em 43%, o que equivale a 71 pessoas entre o grupo de 166 que apontou esse sintoma) e a fadiga (não resolvida em 35%, o que representa 68 pessoas de um grupo de 192).

Entre os sintomas mais persistentes da COVID-19, estão a tosse, o cansaço e a falta de ar (Foto: Thomas de Luze/Unsplash)

Um fato novo era de que a idade, aparenta, ter um papel importante no prolongamento dos sintomas da COVID-19, nos casos mias leves. Isso porque quase 50% das pessoas com 50 anos ou mais, exatamente 47%, afirmaram ainda ter sintomas. Em paralelo, entre as idades de 18 a 34 anos, 26% apontaram para a continuidade dos sintomas. Já para o grupo na faixa etária de 35 a 49 anos, 32% disseram que ainda não tinham recuperado a saúde de forma completa.

Além disso, quanto mais condições crônicas o paciente possuía previamente, as chances de que apresentasse sintomas remanescentes era maior. Entretanto, um em cada 5 pessoas jovens, de 18 a 34 anos, que não tinham condições médicas crônicas afirmaram que não haviam se recuperado completamente no período.

Quanto ao estudo, o CDC faz um alerta a respeito de sua metodologia, isso porque se trata de entrevistas feitas por telefone, baseada no autorrelato do paciente. Por esse motivo, as respostas dos pacientes poderiam ser parciais ou incompletas. Para se aprofundar na questão, investigações mias detalhadas e maiores precisam ser realizadas.

Impactos?

A partir da nova perspectiva apresentada pela agência, alguns médicos expressaram preocupação em relação à duração desses sintomas nos pacientes da COVID-19. Há chances, por exemplo, desses sintomas persistirem por meses ou anos nos infectados pelo novo coronavírus. Inclusive, estudos estão em andamento para avaliar os efeitos a longo prazo.

Para auxiliar os pacientes com sintomas prolongados da COVID-19, uma clínica no Reino Unido tem trabalhado com especialistas em fadiga crônica, nutricionistas e um psicólogo para investigar formas de melhorar e acelerar a recuperação desses pacientes que não chegaram a ser hospitalizados pela doença.

Fonte: CNN e CDC (1) e (2)

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