Influenza A, influenza B e parainfluenza: qual a diferença?

Influenza A, influenza B e parainfluenza: qual a diferença?

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 13 de Dezembro de 2021 às 08h30
IciakPhotos/Envato Elements

Os vírus da influenza — incluindo os tipos A e B, geralmente conhecidos como os agentes causadores da gripe — e o da parainfluenza (VPH) causam infecções no trato respiratório humano. Nas pessoas infectadas, estas doenças respiratórias podem ter diferentes gravidades, indo de uma leve coriza até um caso de pneumonia.

Para distinguir os dois vírus respiratórios, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, é possível generalizar que os casos de influenza costumam ser mais comuns durante o inverno. Nas outras estações do ano — primavera, verão e outono —, a prevalência de casos é da parainfluenza.

Entenda o que é influenza (gripe)

Quando pensamos no vírus da gripe, existem quatro tipos da influenza: A, B, C e D. Para os humanos, os dois tipos que mais impactam a saúde são o A e o B. Inclusive, as vacinas anuais contra a gripe apenas imunizam contra estes dois tipos.

Isso porque as infecções pelo vírus da influenza C, geralmente, causam doenças muito leves e não se acredita que causem epidemias em humanos, segundo o CDC. Agora, os vírus da influenza D afetam animais, como os bovinos.

Vírus da gripe podem se dividir entre os tipos influenza A e B (Imagem: Fidel Forato/Canaltech)

Influenza A

Os vírus da gripe do tipo A são os únicos da gripe conhecidos por causar pandemias de gripe, ou seja, têm a capacidade de colocar em risco a saúde global. Esse foi o caso da pandemia de 2009, causada pelo vírus H1N1 da influenza A, conhecida popularmente como a gripe suína.

Para entender essa classificação, os vírus da influenza A são divididos em subtipos. Essa divisão é baseada em duas proteínas que estão presentes nas superfícies desse agente infeccioso: a hemaglutinina (H) e neuraminidase (N).

De forma geral, os principais subtipos do vírus influenza A que circulam, pelo mundo são, o H1N1 e o H3N2. Só que estes não são únicos, apenas os predominantes. Isso porque, até agora, são conhecidos 18 diferentes subtipos de hemaglutinina e 11 diferentes subtipos de neuraminidase.

Em outras palavras, os dois primeiros códigos alfa-numéricos podem variar entre H1 a H18. Já a segunda parte da nomenclatura pode oscilar entre N1 e N11. No total, mais 130 combinações de subtipo de influenza A já foram identificadas na natureza, principalmente em aves selvagens.

Por fim, os subtipos de influenza A ainda podem ser subdivididos em diferentes grupos (clados) e subgrupos (subclados) genéticos. Para resumir, estes vírus são realmente diversos e uma infinidade de pequenas mutações e alterações podem ser registradas.

Pessoas com gripe podem apresentar febre, tosse e dor de garganta (Imagem: Reprodução/Rido81/Envato Elements)

Influenza B

Do outro lado, a influenza B não é dividida em subtipos, mas em duas linhagens: a Yamagata e Victoria. Além desta, mais divisões podem ser feitas em grupos e subgrupos específicos. Para entender melhor essa nomenclatura, vale voltar na tabela da gripe.

"Os vírus da influenza B, geralmente, mutam [sofrem mutações] mais lentamente em termos de suas propriedades genéticas e antigênicas do que os vírus da influenza A, especialmente os vírus H3N2", explica o CDC.

Com a pandemia da covid-19, um estudo australiano observou que a influenza B/Yamagata não foi identificada entre os meses de abril de 2020 a agosto de 2021, sugerindo que este tipo pudesse ter se extinguido. No entanto, ele pode apenas estar dormente e, em breve, novos casos poderão reaparecer. A pesquisa foi publicada na revista Nature Reviews Microbiology.

Sintomas da gripe

"Mesmo com suas particularidades genéticas, todos [os diferentes tipos A e B] podem provocar os mesmos sintomas", explica a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). De modo geral, os sintomas começam a se manifestar entre o primeiro e o quarto dia da infecção.

A seguir, confira os principais (e mais comuns) sintomas da gripe:

  • Febre;
  • Sensação de febre e/ou calafrios;
  • Tosse;
  • Dor de garganta;
  • Nariz escorrendo ou entupido;
  • Dores musculares ou corporais;
  • Dores de cabeça;
  • Fadiga (cansaço);
  • Vômito e diarreia, mais comum em crianças do que em adultos.

A maioria das pessoas que é infectada pelo vírus da influenza se recupera em alguns dias (menos de duas semanas). No entanto, alguns indivíduos podem apresentar complicações, como pneumonia (complicação grave), e alguns casos ainda podem ser fatais (óbito).

Para esta doença, são considerados grupos de risco:

  • Pessoas com 65 anos ou mais;
  • Pessoas que apresentem algumas condições médicas crônicas, como asma, diabetes ou doenças cardíacas;
  • Mulheres grávidas;
  • Crianças com menos de 5 anos, mas especialmente aquelas com menos de 2 anos.

Vacina da gripe

Anualmente, o Brasil distribuí a vacina contra o vírus da influenza atualizada (Imagem: Reprodução/twenty20photos/Envato)

Diante dos riscos dos casos de influenza, muitos países, anualmente, coordenam campanhas de vacinação contra a gripe. No Brasil, este trabalho é feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sendo totalmente gratuita a imunização. Os imunizantes protegem apenas contra os tipos A e B da influenza.

Com a covid-19, muitas vacinas deixaram ser procuradas pela população e a cobertura vacinal para muitas doenças caiu em 2020 e em 2021. Entre elas, está a gripe. Desde o mês de novembro, a cidade do Rio de Janeiro enfrenta um novo surto da doença. Para controlar a situação, centros específicos de atendimento contra a influenza foram instalados na capital.

Vale lembrar que a estratégia de criação de centros de atendimento já foi adotada pela prefeitura do Rio, em 2009. Durante a pandemia da gripe H1N1, a cidade registrou um aumento muito grande na procura por atendimento nas unidades de saúde de pacientes com sintomas gripais.

E a parainfluenza?

Além da influenza, outros vírus respiratórios podem afetar a saúde humana, como a parainfluenza (VPH ou HPIV, na sigla em inglês). De acordo com o CDC, o vírus atinge, na maioria das vezes, bebês e crianças pequenas.

No entanto, jovens e adultos saudáveis também podem ser infectados por este vírus respiratório. Aqui, vale lembrar que a vacina contra a gripe não protege contra infecções do VPH.

Tipos de parainfluenza

O vírus da parainfluenza se divide em 4 tipos (Imagem: Fidel Forato/Canaltech)

O vírus da parainfluenza se divide em 4 principais tipos. A seguir, confira quais são e as complicações com as quais estão relacionados:

  • VPH-1: este tipo é mais frequentemente identificado em crianças e pode causar crupe, ou seja, infecção marcada por forte tosse. Além disso, pode desencadear complicações nas vias respiratórias superiores, como na faringe e na laringe, e nas vias inferiores, traqueia e brônquios;
  • VPH-2: pode desencadear complicações nas vias respiratórias superiores e inferiores;
  • VPH-3: está mais frequentemente associado a alguns casos de bronquiolite, bronquite e pneumonia.
  • VPH-4: é identificado com menos frequência, mas também pode causar complicações respiratórias que variam entre leves a graves.

Sintomas da parainfluenza

Após ser infectado, a pessoa leva entre 2 a 7 dias para desenvolver os primeiros sintomas da parainfluenza. Dependendo do grau da infecção, os principais sintomas são:

  • Febre;
  • Nariz escorrendo;
  • Tosse;
  • Crupe, bronquite, bronquiolite e/ou pneumonia;
  • Dor de garganta;
  • Espirros;
  • Respiração ofegante;
  • Dor de ouvido;
  • Perda de apetite.

Como se prevenir dos vírus respiratórios?

A forma de transmissão desses dois tipos de vírus respiratórios é compartilhada. Inclusive, estas medidas valem para praticamente qualquer tipo de agente infeccioso que afeta o trato respiratório, e isso inclui o coronavírus SARS-CoV-2.

Lavar as mãos previne contra casos de influenza e parainfluenza (Imagem: Reprodução/Mblach/Envato Elements)

A seguir, confira algumas situações de risco que podem provar a infecção do vírus da influenza ou da parainfluenza:

  • Inalar partículas (gotículas) eliminadas por uma pessoa infectada que tossiu ou espirrou;
  • Ter contato pessoal próximo — como tocar ou apertar as mãos — com uma pessoa infectada, sem proteção;
  • Tocar em objetos ou superfícies com vírus e, em seguida, tocar sua boca, nariz ou olhos;
  • Permanecer em locais com baixa circulação de ar, onde pessoas infectadas podem estar;
  • Não higienizar as mãos com frequência.

É importante frisar que, em casos de dúvidas, é sempre necessário buscar orientação profissional. Inclusive, não é recomenda a automedicação e, sempre que possível, um médico deve acompanhar o caso de infecção respiratória.

Fonte: Fiocruz e CDC (1) e (2)  

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