Há riscos de uma nova pandemia como a da COVID? Cientistas calculam a resposta

Há riscos de uma nova pandemia como a da COVID? Cientistas calculam a resposta

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 25 de Agosto de 2021 às 08h30
MirkoVitali/Envato Elements

Somente no Brasil, já são registrados mais de 570 mil mortes em decorrência da COVID-19, segundo dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). Diante desses números, é válido perguntar: qual a probabilidade de uma pandemia de igual magnitude afetar a espécie humana? De acordo com pesquisa norte-americana, há uma "alta probabilidade".

O recente estudo da Universidade Duke, na Carolina do Norte, avaliou estatisticamente as possibilidades de uma nova pandemia atingir os humanos. Inclusive, uma das principais descobertas foi de que grandes pandemias são muito mais comuns do que se poderia imaginar e que há 2% de possibilidade de algo semelhante à COVID-19 acontecer todos os anos.

Pesquisadores calculam alta probabilidade de outras pandemias afetarem a espécie humana (Imagem: Reprodução/Fusion Medical Animation/Unsplash)

Somando os 2% de risco anuais, os pesquisadores calcularam que um humano, em média, tem 38% de chances de vivenciar uma grande pandemia ao menos em algum momento de sua vida. "A conclusão mais importante é que grandes pandemias como a da COVID-19 e a da gripe espanhola são relativamente prováveis", afirmou um dos pesquisadores envolvidos no estudo, William Pan.

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Entenda a pesquisa sobre a possibilidade de pandemias

A equipe de pesquisadores analisou o registro histórico de epidemias relatadas a partir dos anos 1600. No total, foi possível chegar a 476 epidemias documentadas — incluindo as epidemias extremas, que podem ser entendidas como pandemias — e cerca de metade das quais tiveram um número conhecido de vítimas. Além disso, cerca de 145 delas causaram menos de 10 mil mortes, enquanto outras 114 não possuem um número conhecido de óbitos.

Também vale ressaltar que as doenças infecciosas atualmente ativas foram excluídas da análise, já que não é possível calcular a dimensão dessas doenças e nem as suas consequências. Nesse aspecto, não foram contadas a COVID-19, a malária e nem o HIV.

A partir dessas análises, os pesquisadores descobriram que uma epidemia extrema, como a gripe espanhola que afetou o globo entre os anos de 1918 e 1920, tinha 0,2% a 1,9% de probabilidade de ocorrer a cada ano.

A probabilidade de pandemia aumentou?

Mudanças ambientais e contato com animais silvestres podem ampliar riscos de uma nova pandemia (Imagem: Reprodução/Byrdyak/Freepik)

Segundo os autores, nos últimos 50 anos, foi possível observar níveis crescentes de novos patógenos se espalhando pelos humanos. O SARS-CoV-2 é um dos muitos exemplos, mas as sociedades também enfrentaram, em menor grau, nas últimas décadas, a gripe suína, a gripe aviária e o ebola, por exemplo.

"Junto às estimativas recentes de taxas crescentes do surgimento de doenças em reservatórios de animais associados a mudanças ambientais", a equipe destaca que "esta descoberta sugere uma alta probabilidade de observar pandemias semelhantes à COVID-19 (probabilidade de experimentá-la durante a vida, atualmente, é de cerca de 38%), que [o risco] pode dobrar nas próximas décadas".

Nesse cenário, é importante lembrar que a atual não deverá ser a última pandemia a ser enfrentada pela espécie humana. "Isso aponta para a importância de uma resposta precoce aos surtos de doenças e da capacitação para a vigilância da pandemia em escala local e global, bem como para definir uma agenda de pesquisa para entender por que grandes surtos estão se tornando mais comuns", completou o pesquisador.

Para conferir o estudo completo sobre a probabilidade de um nova pandemia afetar a espécie humana, publicado na revista científica PNAS, clique aqui.

Fonte: ScienceAlert  

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