Estudo polêmico levanta possibilidade do coronavírus se integrar ao nosso DNA

Estudo polêmico levanta possibilidade do coronavírus se integrar ao nosso DNA

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 17 de Junho de 2021 às 09h40
Fusion Medical Animation/Unsplash

A COVID-19 ainda é um enigma sendo decifrado pouco a pouco pela ciência. E, recentemente, um estudo do Whitehead Institute e do Massachusetts Institute of Technology (MIT) levantou controvérsias ao apontar que o material genético do SARS-CoV-2 pode se integrar ao genoma (código genético, que possui toda a informação hereditária) do ser humano.

O artigo busca uma explicação de por que as pessoas que se recuperaram do COVID-19 ainda podem testar positivo para o vírus meses depois. Mas o trabalho recebeu olhares de alerta comunidade científica, sendo rotulado de "perigoso", considerando que pode despertar a preocupação de que as vacinas baseadas em RNA mensageiro (mRNA) possam alterar o DNA humano. Em resposta, os autores enfatizaram que o estudo não sugere isso de forma alguma.

A equipe usou três técnicas de sequenciamento diferentes para determinar se o RNA do SARS-CoV-2 poderia ser integrado ao genoma humano, e todas as três abordagens encontraram evidências de que isso era possível, porém elucidando que a integração genética não faz parte do processo natural de infecção do coronavírus.

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"Levantamos a hipótese de que o SARS-CoV-2, que não se integra ao genoma como parte de seu ciclo de vida normal, poderia ser sequestrado por elementos transponíveis semelhantes a retrovirais e ser integrado [às células infectadas]. Isso poderia dar origem a uma expressão de longo prazo de novas sequências virais, detectáveis ​​por PCR, na ausência do agente infeccioso ”, explicou Rudolf Jaenisch, um dos autores do estudo e professor do MIT ao GEN, em uma entrevista exclusiva.

(Imagem: fernando zhiminaicela/Pixabay)

A equipe relata a integração do SARS-CoV-2 em culturas de células provenientes de tecidos de pacientes vivos e autopsiados com COVID-19, ou seja, em ensaios que foram realizados in vitro: “É importante notar que tais transcrições quiméricas são detectadas em tecidos derivados de pacientes [infectados]. Nossos dados fornecem uma visão sobre as consequências das infecções por SARS-CoV-2 que podem ajudar a explicar por que os pacientes podem continuar a produzir RNA viral após a recuperação", afirmam os pesquisadores.

Mesmo sendo categorizado por muitos como um estudo controverso, é comum que mais pesquisas são necessárias para se compreender o efeito que essa potencial integração pode exercer no curso da doença e também as implicações que isso pode ter para outros vírus de RNA causadores de doenças, como o da dengue e da influenza. O estudo completo pode ser acessado aqui.

Fonte: IFL Science, GEN

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